9 de Maio de 2008 / às 17:11 / 9 anos atrás

ATUALIZA2-Sincopetro-SP diz que falta álcool em alguns postos

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - Distribuidoras de combustíveis estão com dificuldades para comprar álcool no Estado de São Paulo e alguns postos da capital já não dispõem do produto, informou nesta sexta-feira o Sincopetro, que representa o varejo de combustíveis paulista.

"Desde o início desta semana, alguns postos de gasolina, de diferentes regiões da capital (paulista), estão encontrando dificuldades na compra de álcool, segundo comunicados feitos por revendedores ao sindicato", informou a entidade em nota. "Já há estabelecimentos começando a ficar desabastecidos do produto, obrigando o consumidor a buscar outro local para encher o tanque", acrescentou o Sincopetro.

O setor sucroalcooleiro está apenas iniciando o processamento da nova safra brasileira de cana-de-açúcar, momento em que, tradicionalmente, os estoques de álcool estão nos menores níveis do ano.

Analistas afirmaram que chuvas atípicas para o período, que atingiram as áreas de cultivo nos últimos dias, prejudicaram o início da moagem da cana e agravaram a situação da oferta de álcool.

"Com a paralisação da moagem por conta da ocorrência de chuvas em boa parte do Estado de São Paulo, usinas reduziram a oferta do produto no mercado spot (disponível)", informou nesta semana um relatório do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), ligado à Universidade de São Paulo.

Devido aos problemas no início do processamento da safra, o preço do álcool hidratado, combustível utilizado pela crescente frota de carros bicombustíveis, subiu 5,6 por cento no início do mês, informou o Cepea.

SETOR REBATE

A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) rebateu, em comunicado, a informação do sindicato dos postos e disse que não há falta de álcool "ou qualquer comprometimento do abastecimento", tanto para a capital quanto para outras regiões.

"As dificuldades para produção que ocorreram no início da safra 2008/09, essencialmente causadas pelo excesso de chuvas, já foram superadas e a produção segue seu ritmo normal", informou a entidade.

"Eventuais problemas de abastecimento em postos específicos podem estar sendo provocados por estoques reduzidos em algumas distribuidoras", acrescentou a Unica.

Corretores atribuíram o problema a questões logísticas e não à falta do produto.

"Estamos começando uma safra em que as usinas estão produzindo e vendendo. Não deu tempo de fazer um pulmão. Também há problemas no transporte, com filas de caminhões nas usinas", disse Ivan Bueno, da corretora Mikz.

"Acredito que na segunda quinzena do mês a situação deve voltar ao normal", acrescentou.

"Difícil é o carregamento. Ele consegue comprar, mas chega na usina com vários caminhões na frente dele. A dificuldade é na retirada", afirmou Pedro Weingrill, da Sincor Commoditties.

A Unica disse ainda que "problemas pontuais de escassez podem ocorrer ocasionalmente devido à prática de algumas distribuidoras de não manter estoques operacionais mínimos compatíveis com o crescimento da demanda, que é uma realidade do mercado brasileiro desde a implantação e o sucesso dos automóveis Flex-Fuel".

Colaboraram Roberto Samora e Gustavo Nicoletta

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