Meteorologia prevê chuvas em reservatórios, mas não suficientes

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 19:33 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 9 de janeiro (Reuters) - As condições dos principais reservatórios do país estão críticas, há previsão de chuva nas áreas das hidrelétricas, mas não há garantias de que elas serão suficientes para reverter o quadro decorrente de uma estiagem, que poderia resultar em um racionamento de energia no país, como advertem especialistas.

Meteorologistas afirmaram que há previsão de chuvas nos próximos dias no centro e sul de Goiás e no oeste de Minas Gerais, onde estão localizadas as cabeceiras de rios que abastecem importantes hidrelétricas como Serra da Mesa (GO) e Marimbondo (MG).

Até o dia 13 de janeiro, de acordo com a meteorologista da Somar Olivia Nunes, as áreas de instabilidade que ainda cobrem o Sudeste e parte do Centro-Oeste favorecem a ocorrência de chuvas nessas regiões, que integram o chamado quadrilátero dos reservatórios do país.

"Mas, apesar da previsão de chuva, que deve acumular até 50 milímetros nos próximos dias, não há garantias de que estas chuvas vão cair exatamente sobre os reservatórios", avaliou.

A situação crítica dos reservatórios levou o diretor da agência reguladora de energia, Aneel, a declarar na terça-feira que "não é impossível" ocorrer um racionamento de energia no país este ano, devido à estiagem e à insuficiência de gás natural do país para colocar em operação todas as usinas térmicas.

Especialistas do setor já advertiam há meses sobre o risco de falta de energia, em um momento que o país cresce a taxas maiores que em anos anteriores.

Para o consultor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura Adriano Pires, existe risco de racionamento, mas não há como afirmar se realmente ocorrerá.

"Não está chovendo o suficiente, não há gás, e o Brasil está crescendo. Quanto mais tempo o governo tentar esconder a situação, mais ela se agravará. Eles (governo) devem começar uma campanha para economizar energia. Isto terá um custo político, mas será melhor do que o custo de um racionamento obrigatório", avaliou.   Continuação...