May 9, 2008 / 5:31 PM / 9 years ago

ANÁLISE-Mercado já vê ciclo mais longo de aperto monetário

5 Min, DE LEITURA

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 9 de maio (Reuters) - O Banco Central já perdeu o centro da meta de inflação de 2008 e para que isso não se repita em 2009, ele deve mudar seu discurso recente que sugere aperto monetário curto e talvez também aumentar, em algum momento, a magnitude da alta. Essa é a visão que começa ganhar força no mercado após as últimas notícias de inflação.

Por enquanto, as apostas da maior parte dos economistas seguenm sendo de um novo aumento de 0,50 ponto percentual na reunião de junho do Comitê de Política Monetária, mas muitos admitem e alguns prevêem uma alta de 0,75 ponto. Se ela não ocorrer no mês que vem, pode acontecer em outra reunião do Copom até o final do ano, segundo os analistas.

Dados desta sexta-feira mostraram que a alta do IPCA acumulada em 12 meses superou em abril os 5 por cento (5,04 por cento) pela primeira vez desde março de 2006, dando força às estimativas do mercado que caminham em direção a esse patamar e se distanciam dos 4,5 por cento que são o centro da mete. Atualmente, o prognóstico para o ano está em 4,86 por cento, segundo relatório Focus do Banco Central.

Além disso, relatórios desta semana mostraram que a pressão dos preços que vem de fora não está arrefecendo e como ela resulta de movimentos sobre os quais a política monetária não tem impacto direto --alimentos e commodities--, a atuação do BC terá que ser ainda mais incisiva.

"O objetivo da política monetária é conter os efeitos secundários dessas altas sobre as quais ele não tem controle, para evitar que elas acabem contaminando os outros índices", disse Newton Rosa, economista-chefe do Sul América Investimento.

Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, num primeiro momento, o Copom pode optar por apenas mudar seu tom.

"Por enquanto, o cenário mais provável é que o BC mantenha o ritmo de alta de 0,50 (ponto em junho) e mude o discurso para um discurso ainda mais firme de combate à inflação, tentando não se comprometer com aquela parte do ajuste rápido", disse Neto.

No comunicado pós-reunião e na ata de abril, o Copom disse que a alta de 0,50 ponto naquele mês --acima do esperado-- era "parte relevante" do ciclo de aperto e contribuiria para "reduzir a magnitude do ajuste total". O mercado leu isso como uma declaração de um ciclo com fim no terceiro trimestre.

Mas a essa altura Newton Rosa começa a apostar que o aperto se estenda para 2009.

"Nós ainda achamos que a probabilidade maior é 0,50 ponto (de alta em junho) com extensão do aperto para o ano que vem. Acho que o mercado pode vir a apostar mais nisso", afirmou.

Segundo ele, apesar de o centro da meta deste ano já não ser mais uma aposta e o BC ter a possibilidade de trabalhar dentro de uma banda de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, ele não desistirá tão facilmente.

"Provavelmente a inflação vai ficar acima do centro, mas o BC tem por obrigação mirar o centro dela e trabalhar para atingi-lo, mesmo agora, principalmente no que se refere ao centro do ano seguinte", acrescentou Rosa.

RESISTÊNCIA

O problema é que o cenário não vem melhorando. As projeções do mercado para a inflação de 2009 seguem aumentando e embora os preços livres, excluídos os alimentos, estejam comportados, a pressão dos industriais --que reagem às commodities-- e dos próprios alimentos é grande --também refletindo principalmente cotações externas.

Rosa lembra que a principal preocupação do BC, embora ainda não existam sinais claros disso, é que a demanda aquecida internamente abra caminho para os repasses.

Zeina Latif, economista do ABN Amro Real, acredita que essa tensão mais forte com a inflação construída nos últimos dias se manterá pelo menos até o fim da divulgação dos dados do primeiro semestre.

"Este primeiro semestre representa o pico do impacto do impulso monetário sobre preços, o que afasta por ora a possibilidade de notícias favoráveis nesse front", disse ela, referindo-se ao ciclo de cortes do juro básico promovido pelo BC até o ano passado.

A próxima reunião do Copom está marcada para 3 e 4 de junho.

Edição de Alexandre Caverni

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