Alívio de alimentos na inflação ainda é de curto prazo

quarta-feira, 10 de outubro de 2007 16:37 BRT
 

Por Renato Andrade

SÃO PAULO (Reuters) - O alívio que os preços dos alimentos trouxe para o IPCA em setembro tem vida curta. A tendência, segundo economistas, é de que a alta vista no atacado nos últimos meses ainda gere pressões sobre o bolso do consumidor, à medida que parte desse aumento será repassado para o varejo.

"Os preços agrícolas no quarto trimestre devem gerar uma pressão mais intensa no IPCA... que vai refletir a pressão no atacado sentida desde agosto", afirmou Fábio Silveira, especialista em análise de preços da RC Consultores.

O movimento esperado pelo economista pode ser melhor observado avaliando o que ocorreu na primeira leitura do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) em outubro.

Os preços no atacado, que respondem por 60 por cento do IGP-M, apresentaram uma leve desaceleração, mas os preços ao consumidor saltaram --tudo por conta de produtos como ovos, aves, hortaliças e legumes.

Os alimentos tiveram alta de 0,38 por cento nessa leitura do IGP-M, depois de terem caído 0,25 por cento no início de setembro.

Em São Paulo, o grupo Alimentação subiu 0,61 por cento na primeira quadrissemana do mês, de acordo com os cálculos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que apura a inflação ao consumidor na capital paulista.

"Os preços no atacado já estão subindo de longa data... e eles não foram totalmente repassados para o varejo por conta do caráter metodológico", salientou Silveira.

Essa possibilidade de repasse não compromete o cumprimento da meta de inflação fixada para o ano, de 4,5 por cento, mas mostra que os custos com alimentos devem se sustentar em patamar elevado até o fim do ano, podendo extrapolar para o início de 2008.   Continuação...