23 de Outubro de 2007 / às 02:48 / em 10 anos

Alívio de alimentos na inflação ainda é de curto prazo

Por Renato Andrade

SÃO PAULO (Reuters) - O alívio que os preços dos alimentos trouxe para o IPCA em setembro tem vida curta. A tendência, segundo economistas, é de que a alta vista no atacado nos últimos meses ainda gere pressões sobre o bolso do consumidor, à medida que parte desse aumento será repassado para o varejo.

"Os preços agrícolas no quarto trimestre devem gerar uma pressão mais intensa no IPCA... que vai refletir a pressão no atacado sentida desde agosto", afirmou Fábio Silveira, especialista em análise de preços da RC Consultores.

O movimento esperado pelo economista pode ser melhor observado avaliando o que ocorreu na primeira leitura do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) em outubro.

Os preços no atacado, que respondem por 60 por cento do IGP-M, apresentaram uma leve desaceleração, mas os preços ao consumidor saltaram --tudo por conta de produtos como ovos, aves, hortaliças e legumes.

Os alimentos tiveram alta de 0,38 por cento nessa leitura do IGP-M, depois de terem caído 0,25 por cento no início de setembro.

Em São Paulo, o grupo Alimentação subiu 0,61 por cento na primeira quadrissemana do mês, de acordo com os cálculos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que apura a inflação ao consumidor na capital paulista.

"Os preços no atacado já estão subindo de longa data... e eles não foram totalmente repassados para o varejo por conta do caráter metodológico", salientou Silveira.

Essa possibilidade de repasse não compromete o cumprimento da meta de inflação fixada para o ano, de 4,5 por cento, mas mostra que os custos com alimentos devem se sustentar em patamar elevado até o fim do ano, podendo extrapolar para o início de 2008.

FORA DA CURVA

A desaceleração do IPCA de agosto para setembro mostra, segundo Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, que o avanço de 0,47 por cento em agosto foi um salto temporário, e não um movimento estrutural.

Mas Silveira acredita que a variação de 0,18 por cento do IPCA em setembro também não pode ser entendida como tendência.

"Essa taxa baixa é a última do ano e a última... no horizonte de seis meses", afirmou o especialista da RC Consultores.

A economista Eulina Nunes dos Santos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é mais otimista e acredita que a variação do IPCA em setembro aumenta as chances de o índice "oficial" de inflação do país fechar o ano abaixo de 4 por cento.

No levantamento semanal feito pelo BC com cerca de 100 instituições do mercado, a mediana das estimativas indica inflação de 4,01 por cento este ano. No Relatório de Inflação de setembro, o próprio BC estimou que o índice deve acumular alta de 4 por cento no ano.

Para Silveira, a pressão que será verificada no IPCA de outubro a dezembro deve garantir uma alta de 4,4 por cento no ano. "Os preços no atacado não páram de subir toda semana... isso pára agora entre final de outubro até novembro... mas pára em patamar estratosférico", disse.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below