June 10, 2008 / 10:06 PM / 9 years ago

Lula festeja PIB e destaca necessidade de equilíbrio na economia

4 Min, DE LEITURA

Por Carmen Munari

SAO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta terça-feira, é "prazeroso e alentador", mas apontou que o país precisa manter o equilíbrio econômico para evitar o retorno da escalada inflacionária e garantir um avanço constante.

"Eu acho que isso é bom para o Brasil e estou convencido que iremos manter isso por muitos e muitos anos. Basta que a gente não perca o bom senso e que a gente não permita que a inflação volte, que a gente não permita que a demanda cresça exagerada além da oferta, é preciso que haja uma combinação", afirmou Lula a jornalistas, após participar da abertura de uma feira de produtos hospitalares.

O PIB avançou 0,7 por cento em relação ao final do ano passado (menor taxa desde o segundo trimestre de 2006). Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a economia cresceu 5,8 por cento, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o presidente, o crescimento da economia está se dando de forma sustentável e atinge vários setores, como a indústria da construção civil, de calçados, têxtil, naval, de etanol, incluindo ainda a produção de grãos.

Ainda assim, Lula afirmou que há desafios a enfrentar já que o país viveu muitos "sobressaltos e altos e baixos" nos últimos anos. Ele mencionou a necessidade de recuperar as contas externas, aumentando exportações e reduzindo as importações.

"Quero que o PIB cresça mais e cresça sempre e não apenas o vôo de galinha a que estávamos acostumados", acrescentou, em uma crítica velada aos governos anteriores.

A empresários, Lula afirmou que a situação da economia brasileira mudou para melhor.

"É importante lembrar que todo mundo estava chorando em 2004 e 2005. Eu não aguentava mais encontrar empresário para ouvir: 'Estamos fechando, estamos quebrando, estamos em vermelho, vamos embora, não está dando certo'. Hoje nós percebemos que o país se encontrou consigo mesmo", disse em discurso na abertura da feira para um público formado por integrantes da área hospitalar.

Para o presidente, o país precisa se recuperar após mais de 20 anos de "frustração". "Já chegamos à plenitude? Não. Já conquistamos tudo? Não. Falta muito, afinal de contas, nós ainda somos um país emergente. Mas um país emergente com viés de alta, com viés de melhora", brincou. O termo viés é associado à taxa de juros, em que o Banco Central determina se vai operar com tendência de alta, de baixa ou sem tendência.

Lula voltou a lamentar o fim da CPMF, como já tinha feito em evento anterior do qual participou em São Paulo. Disse que o término da arrecadação da contribuição, que chegava a 40 bilhões de reais por ano, frustrou a realização do programa de investimentos em saúde --Mais Saúde ou PAC Saúde. Ele disse que está confiante que conseguirá obter os recursos, sem mencionar a origem, e que lamenta que o término da CPMF não tenha se refletido nos preços dos produtos. A votação no Congresso da Contribuição Social para a Saúde (CSS), a nova CPMF, está prevista para terça-feira.

A CSS, dirigida totalmente para a saúde, tem alíquota prevista de 0,10 por cento das transações financeiras, enquanto a CPMF alcançava 0,38 por cento.

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