Dantas volta a ser preso pela PF acusado de corrupção

quinta-feira, 10 de julho de 2008 19:53 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A análise de documentos apreendidos pela Polícia Federal e o depoimento de uma testemunha levaram novamente à prisão o banqueiro Daniel Dantas, acusado de tentativa de suborno, cerca de dez horas depois de ter sido solto, beneficiado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, os indícios colhidos há dois dias, data em que foi deflagrada a operação Satiagraha, que resultou na primeira prisão de Dantas, "fortaleceram a ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção (suborno) contra um policial federal que participava das investigações".

O juiz da 6a Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis, segundo a assessoria de imprensa da PF, decretou a prisão preventiva do banqueiro. Anteriormente, o mesmo magistrado havia decidido pela prisão temporária de Dantas.

Ainda de acordo com a assessoria da PF, a prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser renovada por igual período. Já a preventiva não tem prazo legal para acabar, embora a jurisprudência brasileira aponte para o período máximo de 82 dias, que é a soma dos prazos estabelecidos para as etapas do processo.

Dantas havia sido libertado na manhã desta quinta-feira junto a outros oito suspeitos, graças a habeas corpus concedido pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. No fim da tarde de quinta-feira, a medida que beneficiou o grupo ligado a Dantas foi estendida ao investidor Naji Nahas, ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e a mais nove acusados de cometer crimes financeiros. Todos eles foram presos na mesma operação da PF.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) acusam Dantas de oferecer, por meio de dois intermediários, 1 milhão de dólares a um delegado da PF para fazer com que os nomes dele, da irmã Verônica e do sócio Carlos Rodemburg fossem excluídos das investigações da operação Satiagraha. Dantas também queria que a PF abrisse inquérito contra um antigo adversário.

Em entrevista coletiva antes da divulgação da segunda prisão de Dantas, o advogado Nelio Machado, que representa o banqueiro, rebateu as acusações de suborno.

"Não tenho notícia de nenhum procedimento do senhor Dantas que não fosse por meio de seus advogados", disse. "Repilo qualquer acusação relacionada a suposto suborno", completou.   Continuação...