23 de Outubro de 2007 / às 02:51 / 10 anos atrás

Brasil critica postura comercial "injusta" dos EUA

Por Laura MacInnis

GENEBRA (Reuters) - Os Estados Unidos estão sendo “injustos, não-razoáveis e irracionais” com relação às negociações comerciais globais, disse nesta quarta-feira o subsecretário-geral do Itamaraty, Roberto Azevedo.

Reagindo às acusações dos EUA de que as exigências dos países em desenvolvimento iriam inviabilizar a conclusão da rodada de Doha, Azevedo disse que os países mais pobres estão sendo encurralados nas negociações que já duram quase seis anos.

O diplomata afirmou que Washington e seus aliados ricos tentam forçar o mundo em desenvolvimento a aceitar cortes tarifários em bens industriais, como propôs um mediador da OMC em julho, mas ao mesmo tempo obstruem propostas paralelas para a redução de subsídios e tarifas agrícolas.

“Os EUA, a União Européia e outros países desenvolvidos estão selecionado e escolhendo as provisões do texto agrícola com as quais podem conviver. Por outro lado, estão pedindo aos países em desenvolvimento que assumam o texto [sobre bens industriais] como ‘pegar ou largar’, o que é francamente injusto, não-razoável e irracional”, disse ele a jornalistas em Genebra.

Em Brasília, onde se reuniu com o assessor para assuntos econômicos da Casa Branca, Alan Hubbard, para discutir a rodada de Doha de negociações comerciais, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, fez coro com as críticas de Azevedo.

Amorim acusou os países desenvolvidos de fazer “uma guerra na mídia” quando jogam a responsabilidade nos emergentes, entre eles o Brasil, pelo risco de um fracasso nas negociações comerciais. “Isso é injusto, incorreto e desta maneira não terminaremos a rodada”, disse o ministro após o encontro.

Os Estados Unidos sinalizaram em setembro que estão dispostos a aceitar os cortes agrícolas sugeridos em julho pela OMC.

Mas Azevedo disse que ainda não está claro até que ponto os países desenvolvidos estão dispostos a cortar subsídios e tarifas que dificultam o acesso de agricultores pobres aos mercados dos países ricos.

“Com o nível de incerteza, com o nível de ambigüidade que temos na agricultura hoje, é impossível dizermos se podemos viver com o que está no texto [sobre produtos industriais]”, afirmou.

Potências em desenvolvimento, como Brasil e Argentina, buscam maior acesso para as exportações de alimentos em troca de expor seus setores industriais a mais competição sob as regras da Rodada Doha, que atingira também o setor de serviços.

Muitos temem que a abertura industrial rápida demais ameace os setores industriais desses países e provoque desemprego.

Em nota divulgada na terça-feira, os EUA disseram que a relutância dos países em desenvolvimento em aceitar as reduções tarifárias propostas pela OMC em julho “podem sinalizar o fim da rodada de Doha”.

Azevedo disse, entretanto, que o Brasil está disposto a continuar pressionando por um consenso entre os 151 países da Organização Mundial do Comércio.

“Ainda estamos otimistas. Ainda estamos tentando trabalhar. Estamos tentando negociar dentro de fronteiras razoáveis”, afirmou. “Estamos prontos a negociar em todas as frentes, em todas as áreas, todo o tempo, até o fim.”

Colaborou Guido Nejamkis em Brasília

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