Brasil critica postura comercial "injusta" dos EUA

quarta-feira, 10 de outubro de 2007 22:57 BRT
 

Por Laura MacInnis

GENEBRA (Reuters) - Os Estados Unidos estão sendo "injustos, não-razoáveis e irracionais" com relação às negociações comerciais globais, disse nesta quarta-feira o subsecretário-geral do Itamaraty, Roberto Azevedo.

Reagindo às acusações dos EUA de que as exigências dos países em desenvolvimento iriam inviabilizar a conclusão da rodada de Doha, Azevedo disse que os países mais pobres estão sendo encurralados nas negociações que já duram quase seis anos.

O diplomata afirmou que Washington e seus aliados ricos tentam forçar o mundo em desenvolvimento a aceitar cortes tarifários em bens industriais, como propôs um mediador da OMC em julho, mas ao mesmo tempo obstruem propostas paralelas para a redução de subsídios e tarifas agrícolas.

"Os EUA, a União Européia e outros países desenvolvidos estão selecionado e escolhendo as provisões do texto agrícola com as quais podem conviver. Por outro lado, estão pedindo aos países em desenvolvimento que assumam o texto [sobre bens industriais] como 'pegar ou largar', o que é francamente injusto, não-razoável e irracional", disse ele a jornalistas em Genebra.

Em Brasília, onde se reuniu com o assessor para assuntos econômicos da Casa Branca, Alan Hubbard, para discutir a rodada de Doha de negociações comerciais, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, fez coro com as críticas de Azevedo.

Amorim acusou os países desenvolvidos de fazer "uma guerra na mídia" quando jogam a responsabilidade nos emergentes, entre eles o Brasil, pelo risco de um fracasso nas negociações comerciais. "Isso é injusto, incorreto e desta maneira não terminaremos a rodada", disse o ministro após o encontro.

Os Estados Unidos sinalizaram em setembro que estão dispostos a aceitar os cortes agrícolas sugeridos em julho pela OMC.

Mas Azevedo disse que ainda não está claro até que ponto os países desenvolvidos estão dispostos a cortar subsídios e tarifas que dificultam o acesso de agricultores pobres aos mercados dos países ricos.   Continuação...