UBS anuncia US$10 bi em perdas com crédito e levanta capital

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007 09:04 BRST
 

Por Andrew Hurst

ZURIQUE (Reuters) - O banco suíço UBS revelou nesta segunda-feira 10 bilhões de dólares em baixas contábeis vinculadas a créditos de alto risco e informou que obteve uma injeção de capital de emergência de um órgão do governo de Cingapura e de um investidor do Oriente Médio, que não teve sua identidade revelada.

O UBS, que tem sido severamente abatido pela crise no mercado de hipotecas de risco dos Estados Unidos, emitiu um alerta de lucro e cancelou planos para entrega de dividendos em dinheiro.

O encargo de 10 bilhões de dólares foi uma das maiores baixas contábeis registrada por qualquer banco global desde o estouro da crise de crédito e representa o mais recente sinal da devastação que caiu sobre as maiores instituições financeiras do mundo.

O anúncio da baixa contábil chegou a derrubar as ações do UBS. Os papéis chegaram a cair 2,97 por cento, mas recuperaram mais tarde, operando em alta de 2,62 por cento às 8h57 (horário de Brasília).

O investimento de Cingapura, que dá à cidade-estado asiática uma participação de 9 por cento no UBS, é o mais recente caso de resgate de um importante banco ocidental por um fundo soberano, depois que a Autoridade de Investimento de Abu Dhabi comprou uma fatia de 7,5 bilhões de dólares no Citigroup.

"É uma tendência em desenvolvimento. Investidores soberanos da Ásia e do Oriente Médio têm recursos e horizonte de longo prazo maiores que o investidor médio de mercado", disse Omar Fall, analista do ABN Amro, em Londres, para quem o nível de diluição das ações do UBS após a injeção de recursos é "muito significativa".

O UBS informou que não exclui a possibilidade de conceder assentos em seu conselho diretor aos novos investidores.

O UBS fez uma emissão de 13 bilhões de francos suíços (11,5 bilhões de dólares) dos quais 11 bilhões de francos foram adquiridos pela Corporação de Investimento do Governo de Cingapura (GIC) e 2 bilhões de francos pelo investidor do Oriente Médio.

Uma fonte do setor financeiro informou que acredita-se que o investidor do Oriente Médio deve ser o governo de Omã.

Os anúncios do UBS foram feitos na véspera da reunião com investidores do banco em Londres, na qual o presidente-executivo da instituição, Marcel Rohner, e outros importantes dirigentes do banco estarão presentes.