10 de Junho de 2008 / às 14:50 / em 9 anos

Vale prepara oferta de ações de até US$15 bilhões

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A diretoria da Vale vai propor ao Conselho de Administração da empresa a realização de uma oferta pública primária de ações ordinárias e preferenciais com valor máximo de 15 bilhões de dólares, dinheiro que deverá ser utilizado para impulsionar o crescimento da empresa.

De acordo com comunicado enviado ao mercado, a Vale pretende aplicar os recursos em “fins corporativos gerais” que incluem o financiamento do seu amplo programa de crescimento orgânico, estimado em 59 bilhões de dólares, e também em “aquisições estratégicas e ampliação de flexibilidade financeira”.

A companhia salientou no comunicado, no entanto, que não mantém no momento negociações para compra de empresas.

Desde que Roger Agnelli assumiu a presidência da Vale, em 2001, a mineradora fez 14 aquisições incluindo a canadense de níquel Inco, por cerca de 18 bilhões de dólares, em 2006.

Nos últimos dias, informações que circularam pelo mercado e pela mídia especializada indicaram que a companhia estaria novamente em meio a negociações para alguma grande aquisição na área de mineração, que poderia envolver operação de emissão de ações como forma de financiamento parcial.

Desde o final sem acordo das conversas para a compra da Xstrata, em março, analistas colocaram várias opções como eventuais novos alvos para a brasileira, que busca diversificar suas operações, muito concentradas em minério de ferro.

Alguns desses nomes voltaram ao noticiário nesta semana, como a Freeport-McMoRan Copper and Gold, importante produtora de cobre, a Alcoa, gigante do alumínio, e mesmo a Anglo American, uma das maiores mineradoras diversificadas no mundo.

A Vale, a Alcoa e a Freeport disseram que não vão comentar os rumores.

O efeito das especulações sobre as ações da Vale tem sido negativo. Os papéis preferenciais perderam 1,7 por cento na segunda-feira e caíam 3,8 por cento por volta das 14h45 desta terça-feira, enquanto o índice Bovespa caía 2,7 por cento.

“As incertezas aumentaram porque não se sabe o que ela vai fazer com os 15 bilhões que vai captar. A questão de aquisição de ativos não ficou clara”, afirmou a analista Cristiane Viana, da Ágora.

“Vamos continuar vendo volatilidade até saber o valor da aquisição, a estratégia que será adotada”, disse ela, acrescentando que o potencial da ação continua positivo.

Antonio Ruiz, analista de mineração do BB Banco de Investimentos, elogiou a iniciativa da oferta de ações, apesar de concordar com a permanência da volatilidade por enquanto.

“Essa estratégia de captar via ações é ótimo. O temor era de que ela ficasse muito alavancada e perdesse o grau de investimento”, afirmou.

“O board deixou claro para o mercado de que iriam fazer de tudo para que isso não aconteça... O problema é que não se sabe quem a Vale está paquerando, o que pode criar volatilidade para as ações no curto prazo”, acrescentou.

Mas há quem veja no movimento da Vale apenas uma operação de reforço financeiro sem ligação imediata com uma aquisição nesse momento.

Um executivo de um banco em Londres, atuando no setor de metais e mineração, disse acreditar que o movimento de lançamento de ações da Vale pode ter sido interpretado erroneamente por pessoas no setor como parte de uma estratégia para comprar alguém.

Ele não descarta uma aquisição, mas acha que isso pode ocorrer em até 12 meses.

Sobre os possíveis alvos, a Freeport é citada como mais adequada.

“Faz sentido. Está em linha com o que a Vale tem dito que quer fazer”, disse Charles Bradford, analista do setor de mineração da Bradford Research/Soleil.

A Vale chegou a alinhavar uma linha de financiamento de aproximadamente 50 bilhões de dólares com vários bancos quando tentou comprar a Xstrata, em um negócio que alguns analistas estimaram que poderia atingir até 90 bilhões de dólares.

O valor de mercado da Anglo American é de quase 85 bilhões de dólares. A Alcoa está avaliada em 32 bilhões de dólares e a Freeport em 44 bilhões de dólares, de acordo com dados da Reuters.

(Reportagem de Marcelo Teixeira, Denise Luna e Aluisio Pereira; Edição de Denise Luna)

Colaboraram Steve James e Matt Daily, em Nova York, e Eleanor Wason, em Londres

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