VIVO diz que crise pode retardar expansão do mercado celular

sexta-feira, 10 de outubro de 2008 11:47 BRT
 

LISBOA, 10 de outubro (Reuters) - O crescimento do mercado de telefonia celular do Brasil pode perder força com a crise financeira internacional, mas continuará acima dos 10 por cento ao ano, disse Roberto Lima, presidente-executivo da Vivo VIVO4.SA.

O executivo informou que a desaceleração deverá ser temporária e que a Vivo pretende manter sua participação de mercado em receitas e continuar a crescer em linha com o setor.

Lima afirmou que o consumo também pode ser afetado pela revisão de subsídios, que facilitam a venda de celulares, devido à valorização que o dólar tem registado frente ao real, o que também deverá ter impacto nos custos da Vivo este ano.

"Poderá haver uma desaceleração. Não vejo nada inferior a 10 por cento (de crescimento ao ano) e acho que seria também temporário", afirmou Lima, a jornalistas durante encontro de empresários em Lisboa.

O presidente da maior operadora de telefonia celular do Brasil afirmou que a companhia tem conseguido as linhas de crédito que precisa para financiar seus investimentos.

"Estamos conseguindo captar recursos... em média, abaixo mas muito próximo da taxa de referência do mercado brasileiro", afirmou. "Fizemos agora a captação de 550 milhões de reais em comercial papers que já estava prevista e isso nos dá a folga que precisamos até ao final do ano."

Lima disse que a Vivo vai estar atenta a oportunidades de consolidação que surjam "fora do setor celular, mas dentro das telecomunicações" no Brasil.

"A situação um pouco conturbada do mercado nos indica que teremos grandes oportunidades, algumas novas oportunidades de operações, talvez ainda exista alguma oportunidade de consolidação no mercado brasileiro. Vamos estar muito atentos a isso."

"Não estamos olhando nada específico neste momento, mas vamos estar muito atentos a tudo o que pode acontecer na medida em que o nosso setor se alarga, não é mais um setor de comunicação de voz. Estamos preocupados com a comunicação visual, televisão, todos os produtos anexos à telefonia tradicional", explicou.

Lima acrescentou que a Vivo "está olhando para a atividade da televisão em parceria com a PT Inovação (unidade da Portugal Telecom, acionista da Vivo)".

(Por Elisabete Tavares e Andrei Khalip)