10 de Dezembro de 2007 / às 10:51 / em 10 anos

Lula aposta em CPMF e Dilma cobra responsabilidade da oposição

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar nesta segunda-feira que está confiante na aprovação da proposta de prorrogação da CPMF, que deve ser votada no plenário do Senado na terça-feira. Enquanto isso, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cobrou em entrevista a uma emissora de TV um papel "responsável" da oposição.

Durante programa semanal de rádio, Lula disse que o governo continua disposto a negociar com a oposição para garantir a cobrança do imposto do cheque até 2011.

"Eu acredito que ela será aprovada pelo Senado por duas razões. Primeiro porque eu acho que o senadores são responsáveis... e também porque eu acho que tem momento em que a gente faz debate, tem momento em que a gente discute, tem momento em que a gente faz oposição, mas tem um momento em que a gente vai votar", afirmou Lula durante o programa "Café com o Presidente".

O governo vem enfrentado forte oposição dentro do Senado em relação à proposta que prorroga a vigência do imposto do cheque, tributo que garante cerca de 40 bilhões de reais ao ano para os cofres públicos.

Senadores do DEM e do PSDB são os mais resistentes à proposta de prorrogação da CPMF, mesmo considerando as concessões já feitas pelo governo para garantir a continuidade da contribuição, como a redução gradual da alíquota do tributo --atualmente em 0,38 por cento.

Apesar da confiança, Lula afirmou que a disposição de votar a proposta na terça-feira não significa que o governo vai "para o tudo ou nada".

"O governo está disposto a conversar... se alguém tiver proposta nova, que a faça, o governo vai estudar cada uma dessas propostas. O que é importante é que esse imposto tem que ser votado tal como ele foi aprovado na Câmara", disse Lula.

OPOSIÇÃO RESPONSÁVEL

Pouco depois de Lula defender a aprovação da CPMF em seu programa de rádio, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse em entrevista ao programa "Bom Dia, Brasil", da TV Globo, que o país precisa ter uma "oposição muito responsável" que evite um embate "ferrenho" com o governo em questões como a prorrogação do tributo.

"Não acredito que seja possível fazer oposição ferrenha em questões que envolvem o interesse nacional. CPMF envolve o interesse nacional, o interesse dos Estados", afirmou a ministra na entrevista.

A proposta de prorrogação da CPMF precisa ser aprovada em dois turnos no Senado até o fim do mês. Se isso não acontecer, o governo terá que interromper a cobrança a partir do início do próximo ano.

De acordo com a ministra, a CPMF é um dos tributos que permitiu ao governo a possibilidade de investir em infra-estrutura, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem comprometer as contas públicas.

Segundo Dilma, o leilão da usina de Santo Antonio, marcado para esta segunda-feira, será mais uma "façanha" do governo nesta área, assim como a licitação das concessões rodoviárias, que garantiu pedágios mais baratos nos trechos licitados.

"Nós tivemos um longo processo de discussão e de construção desse leilão.... chegamos hoje podendo licitar a usina de Santo Antônio, que vai fornecer mais de 3 mil megawatts médios para Brasil, porque fizemos o dever de casa no que se refere ao meio-ambiente, combinando isso com a necessidade do país de manter sua matriz energética limpa", afirmou a ministra.

Por Renato Andrade

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