Mantega diz que desaceleração no 1o tri era "desejável"

terça-feira, 10 de junho de 2008 18:42 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que a desaceleração da economia revelada pelos números do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre era "desejável" e que os dados indicam um crescimento de 5 por cento este ano.

Sobre a elevação expressiva do consumo do governo, também mostrada no PIB, Mantega disse que os dados refletem principalmente o resultado das contas dos Estados e dos municípios.

"A desaceleração era desejável", afirmou a jornalistas, acrescentando que os números indicam uma maior "convergência entre a oferta e a demanda". "Não estamos derrubando a demanda, é apenas uma ligeira desaceleração, é jogar um pouco de água na fervura."

O país cresceu 5,8 por cento no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado. No quarto trimestre de 2007, a expansão foi de 6,2 por cento nesse tipo de relação.

O consumo do governo avançou 4,5 por cento entre o final do ano passado e o início deste, maior taxa desde o início da série.

O dado do consumo público, segundo Mantega, "não reflete os gastos do governo federal". Ele argumentou que as despesas da União estão se reduzindo, e que o superávit feito pelo governo federal é maior do que o de Estados e municípios.

Para o ministro, a desaceleração da economia é um reflexo direto do aumento da economia feita pelo governo e também de medidas como a taxação do crédito da pessoa física com Imposto sobre Operações Financeiras e o aumento do compulsório sobre depósitos bancários feitos por empresas de leasing.

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, os números mostraram o acerto das políticas monetária e fiscal.

"O resultado do PIB é mais uma demonstração de que uma política monetária e fiscal responsável é o único caminho para garantir o crescimento sustentável do país", disse Meirelles por meio de sua assessoria.

(Reportagem de Isabel Versiani)