October 10, 2008 / 7:06 PM / 9 years ago

ATUALIZA-Lobão diz que petróleo do pré-sal fica em torno de U$50

6 Min, DE LEITURA

(Acrescenta mais informações e declarações)

Por Andrei Khalip e Shrikesh Laxmidas)

LISBOA, 10 de outubro (Reuters) - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, minimizou nesta sexta-feira o impacto que a queda do preço do petróleo teria nos projetos de exploração da camada pré-sal do país, afirmando que a cotação pode cair para até 40 dólares o barril sem comprometer os investimentos.

"O aumento dos preços do petróleo era exorbitante, e qualquer que sejam os custos de extração seguirão sendo baratos em comparação com os preços atuais", disse, agregando que a extração do petróleo do pré-sal "não deverá custar mais do que 40-50 dólares o barril".

Nesta sexta-feira, o petróleo norte-americano CLc1 rompeu a barreira psicológica de 80 dólares pela primeira vez em um ano, e fechou a 77,70 dólares por barril.

Este ano, o petróleo nos EUA atingiu um valor recorde acima de 147 dólares o barril, mas vem caindo com a crise financeira global, que trouxe incertezas em relação ao crescimento da economia mundial.

Lobão afirmou que ainda mantém a data de 30 de outubro para que a comissão interministerial entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugestões para um novo marco regulatório.

Segundo o ministro, o novo marco não vai afugentar investidores, afirmando que com um custo entre 40 e 50 dólares, a exploração no pré-sal será competitiva.

"É absolutamente competitivo (...) os investimentos continuarão entrando como acontece na Noruega, teremos uma fila de candidatos", disse Lobão à Reuters em uma entrevista após participar de uma reunião com empresários portugueses e brasileiros em Lisboa.

Ele informou que nos demais projetos de petróleo no país, fora da àrea pré-sal, o custo é de 32 dólares o barril, "mas aí só pode extrair de 5 a 20 mil barris (por dia) e no pré-sal pode ter 100 mil barris para cada companhia", detalhou.

Lobão reiterou que o Brasil irá respeitar os contratos atuais e afirmou que ainda não há uma decisão fechada sobre as novas medidas que serão tomadas, mas que "cinco ou seis propostas" serão apresentadas como alternativa.

Empresa Estatal

O ministro disse que o governo ainda não decidiu também se vai criar uma empresa 100 por cento estatal para administrar os recursos do pré-sal, idéia que apóia, e afirmou que a alternativa seria o governo aumentar a participação na Petrobras (PETR4.SA).

"O melhor seria ter uns 150 por cento", brincou Lobão ao ser perguntado até quanto o governo poderia ter na Petrobras.

Apesar de ser controlada pelo governo, a Petrobras tem uma grande quantidade de ações no mercado brasileiro e norte-americano.

Ele explicou que a nova empresa não deve assustar os acionistas da Petrobras, já que ela funcionaria mais como uma agência coordenadora.

"A idéia é ter uma entidade estatal que coordene todo o sistema. É como uma agência, terá as companhias petrolíferas como provedoras de serviços, seja através de licitações ou que sejam chamadas para que prestem serviços em troca de pagamento adequado, de 5 por cento do petróleo extraído, de 10 ou de 12 por cento", explicou.

"A nova empresa será como um fundo soberano e o dinheiro poderá ser dividido com o governo federal para destinar-lo à educação, saúde, etc", destacou.

Outras possíveis medidas contemplam elevar os royalties e taxas especiais sobre a exploração e produção em futuros contratos, o que poderia ser feito por decreto, enquanto a criação da agência teria que passar pelo Congresso, o que poderia retardar o processo.

A Petrobras descobriu no ano passado reservas gigantes de petróleo sob uma espessa camada de sal na costa brasileira, que podem colocar o Brasil entre os principais produtores mundiais da commodity. Com isso, o brasileiro decidiu que serão necessárias novas regras para exploração das reservas não licitadas, visando maior remuneração.

Lobão elogiou na reunião em Lisboa a presença da portuguesa Galp Energia (GALP.LS) em vários blocos de bacia de Santos, onde se encontram os principais blocos da camada pré-sal.

Somente em dois dos sete poços da Petrobras e parceiros a previsão é de reservas de até 12 bilhões de barris, o que dobraria o total de reservas atuais do país.

A Galp tem participação de 10 por cento no campo de Tupi, o maior descoberto até o momento, assim como fatias nos campos de Júpiter e Iara. Outros sócios da estatal brasileira nesses e em outros blocos incluem a britânica BG Group BG.L, a espanhola Repsol (REP.MC) e a norte-americana ExxonMobil (XOM.N).

Com reportagem adicional de Elisabete Tavares

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