Equador ameaça expulsar Odebrecht de seu território

quarta-feira, 10 de setembro de 2008 08:49 BRT
 

QUITO (Reuters) - O Equador impôs nesta terça-feira um ultimato contra a construtora brasileira Odebrecht para que a companhia pague uma indenização por danos causados pela paralisação de uma central hidrelétrica, sob pena do país iniciar ações legais, encerrar contratos e expulsar a companhia de seu território.

As autoridades equatorianas pediram à Odebrecht uma indenização de 12 milhões de dólares pela paralisação da usina hidrelétrica San Francisco, construída pela brasileira ao custo inicial de 300 milhões de dólares.

A usina, segunda maior do país, foi inaugurada no ano passado, mas desde 6 de junho vem apresentando falhas técnicas que a obrigaram a interromper a geração, colocando em risco o abastecimento de energia do país andino.

"Se a Odebrecht não acatar as exigências imediatamente, terá que se preparar para sair do país porque todos os seus contratos serão encerrados", afirmou o presidente da estatal Fondo de Solidaridad, Jorge Glas, a jornalistas.

O presidente do Equador, Rafael Correa, exigiu à empresa que assumisse o pagamento das indenizações pela paralisação da central, de 230 megawatts de potência, além de devolver um prêmio dado à empresa pela entrega antecipada do projeto. Correa disse que, caso a Odebrecht não cumprisse essas exigências, teria de abandonar o país.

A empresa não atendeu às exigências, mas ofereceu reparar a represa até o dia 4 de outubro e ampliar a garantia do projeto.

"A Odebrecht apresentará uma resposta ao governo equatoriano --na opinião da companhia-- altamente positiva e espera que também seja satisfatória para o governo", disse a empresa, em um comunicado.

A construtora brasileira tem outro projetos no Equador como a construção de outra central hidrelétrica, uma estrada e um aeroporto na região amazônica, contratos que representam cerca de 800 milhões de dólares, segundo as autoridades do país.

A Odebrecht enfrenta uma investigação por parte de autoridades equatorianas que busca determinar se os montantes alocados nos projetos são os adequados.

A usina de San Francisco está localizada no centro do país e responde por cerca de 12 por cento da capacidade energética do Equador.

(Reportagem de Alexandra Valencia)