December 10, 2007 / 4:32 PM / 10 years ago

Presidente da Funai negociará libertação de reféns em Rondônia

5 Min, DE LEITURA

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Funai, Márcio Meira, atendendo a apelos de índios cintas-largas que mantêm cinco reféns na reserva Roosevelt, chegou na tarde de segunda-feira a Ji-Paraná, em Rondônia, para negociar a libertação das pessoas sequestradas, incluindo um representante do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU.

"Vou fazer as negociações diretamente com as lideranças indígenas e saber quais são as exigências", disse Márcio Meira, de acordo com sua assessoria de imprensa.

Os cinco reféns -- dois funcionários da Funai, o integrante da Organização das Nações Unidas (ONU), um procurador da República e sua mulher -- estão sendo bem tratados na aldeia Roosevelt, que fica na reserva de mesmo nome, segundo a assessoria da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Entre as exigências dos índios, que mantêm o grupo refém desde sábado, está a retirada da Polícia Federal das barreiras de acesso às aldeias, "para que se garanta o direito de ir e vir dos índios", segundo a carta de exigência dos cintas-largas.

Antes de ir para Cacoal, local mais próximo da reserva para negociar com as lideranças indígenas, Meira terá uma reunião com autoridades da entidade e da Polícia Federal em Ji-Paraná, segunda maior cidade do Estado.

O delegado Rodrigo Carvalho, da base da Polícia Federal na cidade de Pimenta Bueno, na região da reserva, afirmou por telefone que "o clima está tranquilo, ninguém está sofrendo constrangimento pelo sequestro".

"Mas eles exigem a presença do presidente da Funai para começar as negociações", disse Carvalho.

Os índios sequestraram no sábado o representante da ONU, David Martins Castro, o procurador da República em Rondônia, Reginaldo Pereira da Trindade, sua mulher, o administrador regional da Funai e o motorista da entidade.

Castro foi à aldeia com o grupo para realizar um relatório sobre a situação dos índios cintas-largas.

A região, que conta com cerca de 1.500 índios da etnia cinta-larga, é palco de confrontos entre os índios e garimpeiros que exploram de forma ilegal a famosa jazida de diamantes. A reserva Roosevelt tem 2,7 milhões de hectares.

Segundo o delegado, não se sabe exatamente o tamanho da jazida, já que nunca foi feito um estudo. Em 2004, 29 garimpeiros foram assassinados pelos índios da tribo.

EXIGÊNCIAS

Os índios também exigem, entre outras coisas, a não liberação do garimpo em terras indígenas, políticas para educação de qualidade e a revogação de uma portaria que repassa aos municípios a responsabilidade dos serviços de saúde indígena.

"Há sete anos, desde a descoberta da jazida de diamantes dentro da terra indígena Roosevelt, pertencente ao povo cinta-larga, e a consequente invasão das terras pelos garimpeiros, a situação tornou-se um barril de pólvora", disseram os índios na carta. "(...) trazendo consequências desastrosas para garimpeiros, indígenas e a população em geral".

O cacique Henrique Suruí, da tribo de mesmo nome em uma reserva vizinha à Roosevelt, ajudou a divulgar a carta e afirmou que o sequestro é pacífico, sem violência.

Segundo o cacique, os policiais federais abusam dos índios na barreira das aldeias. "Toda vez que o índio entra (na aldeia) é revistado, tem policial que tira a roupa das mulheres, que xinga o índio", disse o cacique por telefone, que reclamou da ausência do governo no local.

"Queremos a presença do chefão da PF de Brasília e a presença do presidente da Funai, porque ele nunca aparece para resolver problemas dos índios", acrescentou.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below