11 de Setembro de 2008 / às 00:04 / 9 anos atrás

ATUALIZA-Sem consenso, Copom eleva juro básico em 0,75 ponto

(Texto atualizado com mais informações e comentários de analistas)

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 10 de setembro (Reuters) - O Comitê de Política Monetária elevou a taxa básica de juro em 0,75 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano nesta quarta-feira.

Em meio a sinais de forte atividade econômica e de uma recente desaceleração da inflação, os oito diretores do Banco Central se dividiram na deliberação e três deles votaram por um aperto menor dos juros, de 0,50 ponto.

Esse foi o quarto aumento consecutivo da Selic e a primeira vez desde julho do ano passado em que o Copom se dividiu numa decisão.

Em breve comunicado, o comitê repetiu o tom adotado na reunião anterior e disse que a decisão se deu “com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”.

Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que todos as 23 instituições financeiras consultadas projetavam aumento de 0,75 ponto percentual.

“A indicação para a próxima reunião é que o ritmo de aperto monetário tende a caminhar para uma alta de 0,50 ponto percentual a partir da próxima reunião”, afirmou Maurício Oreng, analista sênior da Itaú corretora.

O Produto Interno Bruto cresceu 6,1 por cento no segundo trimestre do ano na comparação com o mesmo período de 2007 segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta manhã.

A expansão foi liderada por uma elevação expressiva na formação bruta de capital fixo --uma medida dos investimentos feitos pelas empresas-- de 16,2 por cento, maior da série histórica iniciada em 1996.

Esse indicador pode sinalizar uma acomodação futura do uso da capacidade instalada das empresas que, em julho, alcançou o maior nível em pelo menos cinco anos, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria.

No mês passado, uma retração dos preços dos alimentos levou o IGP-DI a registrar a primeira deflação em dois anos e meio e também contribuiu para uma desaceleração da inflação ao consumidor medida pelo IPCA.

O indicador, usado como referência para o regime de metas do governo, subiu 0,28 por cento em agosto, frente a uma alta de 0,53 por cento em julho.

Analistas alertaram, no entanto, para uma elevação dos preços de serviços alimentada pela demanda aquecida. A desvalorização do real frente ao dólar nos últimos dias é outra ameaça à inflação.

“Nos últimos 15 dias houve uma deterioração importante do cenário de inflação para 2009, devido à alta do dólar”, afirmou Alexandre Mathias, diretor do Unibanco Asset Management, que se disse surpreendido com a divisão do placar no Copom.

“Além disso, o crescimento do PIB acima das expectativas no segundo trimestre mostra que a economia está crescendo acima acima do potencial.”

Em julho do ano passado, quatro diretores do Copom votaram pela redução dos juros em 0,5 ponto, para 11,50 por cento, enquanto três eram favoráveis a um corte de apenas 0,25 ponto. Na reunião seguinte, veio o corte mais brando.

A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 28 e 29 de outubro.

Edição de Alexandre Caverni e Daniela Machado

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