Preço no leilão do Madeira gera dúvida sobre viabilidade

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007 19:33 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O preço da tarifa de energia oferecido pelo consórcio liderado por Furnas e Odebrecht no leilão da primeira usina do rio Madeira, em Rondônia, surpreendeu o mercado e abriu margem para especulações sobre o futuro do projeto, que é fundamental para o crescimento da economia brasileira.

Seguros de que a pressão política falou mais alto, apesar de todos os consórcios terem incluído uma empresa estatal, analistas e consultores especularam durante todo o dia após o leilão para tentar entender a lógica dos vencedores. Alguns acreditam que o valor oferecido torna o projeto praticamente inviável.

Com valor máximo de 122 reais o megawatt hora, o leilão da usina de Santo Antônio foi concluído em poucos minutos, confirmando a vitória de certa forma esperada do consórcio formado por Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, o fundo de investimento Banif-Santander e a distribuidora Cemig, que ofereceram tarifa de 78,90 reais o megawwat hora, bem abaixo do segundo colocado.

A usina terá capacidade instalada de 3.150 MW, energia que será vendida 70 por cento por contrato e 30 por cento no mercado livre.

Para o consultor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura Rafael Schechtman, que esperava preço em torno dos 100 reais o MWh, somente o futuro vai mostrar como o governo "vai resolver o impasse que será criado com o deságio de 35 por cento". A opção de compensar o preço baixo da energia via contratos com a venda no mercado livre, segundo Schechtman, não será viável.

"Furnas e Odebrecht estavam com muita gana de ganhar o negócio e colocaram um preço que ninguém em sã consciência colocaria, tanto que o segundo lugar foi 94,00 reais o MWh", afirmou Schechtman.

As duas empresas iniciaram estudos de viabilidade do projeto do rio Madeira em 2001, quando o sistema de venda de energia não era atrelado a leilões como no governo Lula. Analistas já esperavam que como as empresas conheciam melhor o projeto, poderiam minimizar riscos e oferecer um lance menor do que os concorrentes, mas esperavam valor entre 100 e 110 reais o MWh.

Schechtman calcula que para compensar o preço baixo dos preços contratados o consórcio teria que vender a energia livre em torno dos 180 reais o MWh, sem contar os custos de transmissão, o que inviabilizaria a venda para empresas como a Vale, por exemplo.   Continuação...