10 de Março de 2008 / às 15:29 / em 10 anos

Manifestantes bloqueiam importante ferrovia da Vale em Minas

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A estrada de ferro Vitória a Minas, responsável por 37 por cento do transporte de carga ferroviário brasileiro, foi bloqueada no início desta segunda-feira por manifestantes do MST, informou a Vale.

Com isso, o trânsito de passageiros e de 300 mil toneladas diárias de minério de ferro está bloqueado. Segundo informações da Vale em seu site, a ferrovia Vitória-Minas transporta anualmente 135 milhões de toneladas de carga, dos quais 80 por cento correspondem a minério de ferro.

Segundo a assessoria de imprensa da Vale, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Via Campesina e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) bloquearam a ferrovia na altura do município de Resplendor, no leste de Minas Gerais. A ocupação começou por volta das 5h desta segunda-feira.

“A ferrovia está parada, com isso deixamos de atender 2.500 passageiros por dia e deixamos de transportar 300 mil toneladas de minério de ferro para o porto de Tubarão, em Vitória (ES)”, informou a assessoria.

A assessoria do MST informou que a ocupação foi motivada pelos impactos da construção da barragem da usina hidrelétrica de Aimorés na região.

A usina, localizada no rio Doce e com 330 megawats, fica na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais e é controlada pela Vale, com 51 por cento, e pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que detém o restante.

“...a construção da Barragem de Aimorés, pela Vale e Cemig, inviabiliza o sistema de esgoto da cidade, inundando 2 mil hectares de terra”, acusou o MST em nota.

O protesto se segue a outros ocorridos no ano passado e ao mais recente, do último sábado, quando integrantes do MST invadiram uma unidade da Ferro Gusa Carajás, empresa da Vale no Maranhão. O protesto se referia ao uso de carvão vegetal pela companhia e já foi encerrado.

SEM REPRESSÃO

A coordenadora da Via Campesina Edith Prates, que está na ferrovia Vitória-Minas, disse por telefone à Reuters que não está havendo repressão policial e que os manifestantes não pretendem encerrar o protesto.

“A construção dessa barragem trouxe um caos social para a região...toda a questão de infra-estrutura do município (Resplendor) está prejudicada”, disse a coordenadora.

Ela acusou a Vale de pagar indenizações insuficientes e apenas para alguns moradores, assim como prejudicar a atividade de pesca na região.

A Vale negou as acusações do MST. Segundo a assessoria da mineradora, o consórcio Vale/Cemig investiu 30 milhões de reais na construção de uma rede de esgoto e a ligação com as residências ficou sob responsabilidade da Prefeitura de Resplendor, que estaria negociando essa ligação.

“A Prefeitura de Resplendor está em negociação com a Copasa (empresa de saneamento) para a execução das ligações residenciais”, informou a assessoria da Vale.

A empresa negou também as acusações de falhas no reassentamento, informando que as famílias retiradas da cidade de Itueta, local inundado, foram realocadas em Nova Itueta, onde foram construídas 300 casas para moradores e mais 135 para abrigar a população que não tinha residência anteriormente.

O porto de Tubarão é um dos mais importantes para a maior produtora mundial de minério de ferro, e está operando agora com estoques. A assessoria não pôde informar imediatamente quanto minério o porto tem estocado e divulgou que a empresa ainda não recebeu reivindicação formal.

Em novembro, a ferrovia Carajás, que liga a maior mina de minério de ferro da Vale a portos exportadores, foi interrompida por ocupação promovida por manifestantes do MST.

Com reportagem adicional de Alberto Alerigi, em São Paulo

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