ESPECIAL-Atuação da Embrapa vira instrumento de política externa

quinta-feira, 10 de julho de 2008 17:30 BRT
 

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - A excelência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a transformou em ferramenta da política externa brasileira, reforçando a imagem de liderança solidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre países latino-americanos e africanos.

Além de prestígio político, os convênios bilaterais de cooperação técnica da Embrapa, que também são feitos com países desenvolvidos, geram oportunidades para empresas brasileiras fornecedoras de insumos, máquinas e equipamentos.

"A Embrapa é um instrumento da política externa. A área de cooperação é muito importante", ressaltou o embaixador Luiz Henrique Pereira da Fonseca, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). A instituição é o órgão do Ministério das Relações Exteriores que coordena todos os programas de cooperação técnica internacional mantidos pelo Brasil.

Criada em dezembro de 1972 como um órgão do Ministério da Agricultura, a Embrapa foi concebida para desenvolver tecnologias que ajudassem a elevar a produção agrícola nacional. Com o passar dos anos, o Brasil virou uma potência no setor e a Embrapa passou a ser assediada por outros países.

Em praticamente todas as viagens internacionais do presidente Lula, seus anfitriões demonstram interesse pelo trabalho da estatal. Não bastasse, a diretoria da empresa recebe por semana até três missões estrangeiras atrás de parcerias. Na terça-feira, por exemplo, os executivos da Embrapa receberam uma comitiva liderada pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Israel, Shalom Simhon.

Atualmente, a Embrapa mantém parcerias com 49 países. As principais demandas são de tecnologias para a produção de alimentos e biocombustíveis.

"A questão alimentar é o grande tema dos dias de hoje e o Brasil tem condições de ajudar muito. Temos o que oferecer nessa área", destacou o diretor da ABC.

Em relação ao etanol e ao biodiesel, é de interesse do Brasil que mais países produzam esses combustíveis. Só assim eles virarão commodities. As recentes críticas de que o álcool seria um dos responsáveis pela alta dos preços dos alimentos, no entanto, fez o interesse por projetos no segmento diminuir.   Continuação...