Chinaglia: Espanha se comporta como na época da conquista

segunda-feira, 10 de março de 2008 12:53 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pediu respeito aos brasileiros que viajam à Espanha e disse que o país ibérico não pode se comportar como na época da conquista, "quando destruía culturas".

Chinaglia admite que podem existir circunstâncias de ilegalidade que justifiquem uma deportação, mas disse que o comportamento das autoridades espanholas tem se mostrado abusivo.

"Manter pessoas presas por várias horas, que não conseguiram falar com autoridades, familiares, isso é de um abuso inaceitável", disse Chinaglia a jornalistas.

"E mesmo quando houver ilegalidade, que se dê um tratamento legal, segundo as normas internacionais, e não atitudes que lembram a Espanha que invadia nas épocas do descobrimento e destruía culturas. Acho que eles têm que entender que essa fase passou", acrescentou o presidente da Câmara.

Segundo Chinaglia, o embaixador da Espanha no Brasil deverá ser convidado para prestar esclarecimentos à Câmara e ao Senado na Comissão de Relações Exteriores.

"Nós deputados e brasileiros temos o dever de defender o respeito aos brasileiros, (porque isso envolve) aspectos inclusive de soberania nacional", afirmou.

Chinaglia lembrou que Brasil e Espanha têm, no discurso, tentado transformar em prática parcerias estratégicas, mas que se não houver respeito pelas pessoas, "não passa de um discurso".

O presidente da Câmara defende que essas preocupações sejam colocadas com clareza ao embaixador para que ele leve o recado ao governo espanhol.

"Eu interpreto que essa onda de expulsão de brasileiros atendeu o mercado interno espanhol de momento eleitoral, onde a disputa foi bastante difícil e a diferença pequena. Então, jogaram para os brasileiros, e possivelmente outros povos, a responsabilidade de problemas internos deles", disse Chinaglia.

Indagado se o fim das eleições espanholas colocaria um ponto final na questão, Chinaglia disse que é preciso esperar para ver.

"Não posso avaliar, até porque o próprio (primeiro-ministro José Luis Rodrigues) Zapatero vinha governando nesse último período. Do ponto de vista político-ideológico, até prova em contrário, o partido socialista e setores mais progresistas da sociedade tendem a ter uma visão mais humanista. Quando falo tendem a ter é porque agora depende de se confirmar."