10 de Março de 2008 / às 19:45 / 10 anos atrás

Dólar reage à crise externa e sobe acima de R$1,70

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reagiu com mais força à crise internacional nesta segunda-feira, fechando acima de 1,70 real pela primeira vez em duas semanas.

A moeda subiu 1,37 por cento, para 1,707 real. Em março, o dólar agora acumula valorização de 0,89 por cento.

O gatilho para a piora foi o aperto nas condições de crédito interbancário, que aumentou a preocupação sobre a saúde das instituições financeiras e forçou o Federal Reserve a injetar capital adicional no mercado na sexta-feira.

O agravamento da tensão coincidiu com a divulgação, nos últimos dias, de dados muito piores do que o esperado sobre a economia dos Estados Unidos.

Nesse cenário, os mercados tiveram uma segunda-feira de nervosismo, com queda acentuada das bolsas em Nova York em meio a especulações sobre problemas de liquidez em um dos maiores bancos de investimento de Wall Street, o Bear Stearns .

Os rumores foram classificados como “totalmente ridículos” por um executivo do banco.

“A situação norte-americana inspira mais cuidados do que estava aparentando. Os índices de inflação continuam altos e o nível de emprego está diminuindo de forma mais acelerada do que se previa, abrindo as portas para uma recessão”, disse Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.

“Dentro desse cenário ainda há a condição de inadimplência no setor imobiliário”, acrescentou.

O agravamento da tensão global já se refletiu no comportamento dos estrangeiros no mercado futuro de câmbio.

Eles carregavam quase 7 bilhões de dólares em posições vendidas na moeda norte-americana no início do mês, mas reduziram essa exposição para menos de 3 bilhões de dólares na sexta-feira, segundo dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros.

A posição vendida em dólar é uma aposta na queda da moeda. Essa redução demonstra que há menos certeza quanto à desvalorização do dólar no curto prazo, principalmente depois de já ter registrado seguidas baixas no final de fevereiro, quando o dólar chegou a ser cotado em níveis que não eram vistos desde maio de 1999.

No final da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado. A autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,7070 real e aceitou, segundo operadores, ao menos uma das propostas divulgadas.

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