10 de Março de 2008 / às 20:40 / 10 anos atrás

Congresso reage à cobrança de Lula sobre votação de Orçamento

BRASÍLIA (Reuters) - O Congresso reagiu à cobrança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que nesta segunda-feira apelou à “responsabilidade com o país” dos parlamentares para a votação do Orçamento da União deste ano.

A expectativa é que a proposta seja votada nesta quarta-feira.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), acredita que falta empenho dos líderes do governo para um entendimento com a oposição.

“Ninguém pode nesta hora se isentar de responsabilidade. É muito fácil botar a culpa no outro”, disse Garibaldi.

“Eu creio que o presidente Lula deveria recomendar aos líderes do governo para que surja um entendimento. Não tenho maiores preocupações até porque se há esta recomendação do presidente --culpar e responsabilizar os parlamentares-- isso não vai resolver o problema”, completou.

Antes, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), já havia afirmado que a demora na apreciação do projeto se deve ao processo de votação da CPMF, derrubada em dezembro. “A Câmara ficou parada para não atrapalhar a votação da CPMF no Senado”, disse. Na oposição, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), culpou a base do governo pela demora.

“É feio e antidemocrático tentar colocar a opinião pública contra o Parlamento”, disse o senador em nota. “O Orçamento só não foi votado por culta da base do governo, que se deixa conduzir por minúsculo grupo da comissão de Orçamento. Foi esse grupo que criou um Orçamento paralelo”, acrescentou.

O senador se refere a um anexo de metas no valor de 534 milhões de reais que foi criado pela comissão que analisa a proposta de Orçamento no Congresso.

Ele afirmou que o PSDB aceita a proposta do líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), de distribuir os recursos entre todas as bancadas estaduais segundo o critério populacional e de acordo com o rateio do Fundo de Participação dos Estados.

Se esta idéia não for adiante, o senador propõe ainda que o dinheiro seja destinado à área da saúde.

As dificuldades de votação do Orçamento foram discutidas na reunião de coordenação do presidente Lula com seus principais ministros nesta manhã e serão tema de encontro do presidente com os líderes do governo ainda nesta segunda-feira.

A base quer colocar a proposta em votação na quarta-feira mesmo sem acordo com a oposição, o que o Planalto questiona. Sem entendimento, a oposição não costuma dar quórum a uma votação deste porte.

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