10 de Dezembro de 2007 / às 15:37 / 10 anos atrás

ATUALIZA2-Grupo com Odebrecht e Furnas vence leilão do Madeira

Por Renata de Freitas

BRASÍLIA, 10 de dezembro (Reuters) - O consórcio Madeira Energia, idealizado por Odebrecht e Furnas, levou nesta segunda-feira a concessão para a usina de Santo Antônio, projeto de 9,5 bilhões de reais no rio Madeira, oferecendo uma tarifa que ficou 35 por cento abaixo do valor máximo estipulado pelo governo.

O consórcio, que inclui também Andrade Gutierrez, Banif-Santander e Cemig, venceu o leilão com o lance de 78,90 reais por megawatt hora, informou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Setenta por cento da energia da usina será vendida para as distribuidoras ao preço de 78,87 reais por megawatt hora, segundo a Aneel. O restante será negociado no mercado livre.

O leilão foi realizado em menos de dez minutos, sendo concluído logo na primeira fase, o que indica que houve diferença superior a 5 por cento entre o lance vencedor e o lance mais próximo dele.

Pelas regras do leilão, uma diferença inferior a 5 por cento entre o menor valor oferecido para a tarifa e o segundo menor valor levaria a outra rodada de ofertas.

“Pela magnitude do leilão e a força dos grupos, sempre se imaginava que fosse um leilão de lance único. A concorrência muito forte reflete nessa tarifa deprimida”, afirmou a jornalistas José Bonifácio Pinto Júnior, diretor de contratos da construtora Norberto Odebrecht, que esteve envolvido nos últimos seis anos com o projeto do Madeira.

Três grupos disputaram o contrato de 30 anos que inclui venda de energia para esse período para 32 distribuidoras em todo o país, além da parcela a ser negociada no mercado livre.

Além do consórcio vencedor, estavam na concorrência pela concessão o grupo formado pela Suez Energy e Eletrosul, denominado Consórcio Energia Sustentável do Brasil, e o que envolvia Camargo Corrêa, Chesf, CPFL e Endesa, denominado Consórcio de Empresas Investimento de Santo Antônio (Ceisa).

A analista Mônica Araújo, da corretora Ativa, considerou negativo o resultado do leilão para a Eletrobras (ELET6.SA), cuja subsidiária Furnas compõe o consórcio vencedor.

“Acreditamos que o preço da energia praticada no leilão nem de longe remunera o investimento necessário para construção da usina”, afirmou a analista em nota.

“Em nossa visão, sofreu uma clara pressão do governo, que novamente utiliza a Eletrobrás como veículo de promoção de políticas públicas para baixar o preço da energia no longo prazo”.

Especialistas esperavam por uma dura disputa no leilão, devido à força dos grupos envolvidos, e acreditavam que o preço do megawatt hora poderia ficar abaixo de 100 reais [ID:N30279981].

Por volta das 14h35, as ações da Eletrobrás caíam 3,5 por cento na Bovespa, enquanto o índice registrava baixa de 0,15 por cento.

Edição de Marcelo Teixeira

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