Tata Steel quer repassar aumento de minério e carvão clientes

sexta-feira, 11 de abril de 2008 16:26 BRT
 

BOAO, China (Reuters) - A indiana Tata Steel, sexta maior siderúrgica do mundo, espera poder repassar todo o aumento de custo do minério de ferro e do carvão para seus clientes, afirmou um executivo na sexta-feira.

As declarações de B Muthuraman, diretor-executivo da Tata Steel, colocaram a empresa em linha com outras siderúrgicas indianas, que já elevaram ou planejam elevar os preços apesar dos esforços do governo indiano para controlá-los frente à inflação.

"Hoje estamos vendo uma situação de um crescimento bastante forte da demanda, e acredito que a maior parte do aumento nos custos de insumos vão na verdade ser transferidos e traduzidos em aumentos do preço do aço", disse Muthuraman a repórteres.

"No final das contas, acredito que as forças do mercado vão prevalecer, e há muito pouco que se possa fazer para deter o que irá acontecer em relação às forças de mercado", disse ele. "Os preços indianos, acredito, também vão subir (com) os preços internacionais".

A Vale, maior mineradora do mundo e balizadora do mercado, aumentou o preço do minério de ferro para seus clientes, inclusive a Tata, entre 65 e 71 por cento para os contratos 2008, e o preço da pelota em 86,67 por cento. O carvão vem tendo aumentos individuais em torno dos 200 por cento.

Questionado sobre quanto do aumento do custo de matérias-primas a empresa poderá repassar, Muthuraman disse: "Espero que 100 por cento".

Siderúrgicas em países como Coréia do Sul e China já começaram a elevar seus preços em resposta aos aumentos significativos no preço do minério de ferro.

Muthuraman disse que a Tata não tem intenção de comprar recursos de mineração na China, mas que está avaliando oportunidades em países como Brasil, Moçambique, Congo, Senegal, Costa do Marfim e Angola, que têm grandes depósitos, mas não uma grande demanda pelos recursos no futuro imediato.

Ele afirmou que a Tata pode ainda se unir a empresas chinesas para realizar tais aquisições de ativos no exterior, mas explicou que a empresa não está em negociações com empresas específicas sobre esses planos.

(Por Jason Subler)