S&P: inflação gera vulnerabilidade, mas Brasil pode conter alta

quarta-feira, 11 de junho de 2008 16:04 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A alta da inflação é um ponto vulnerável para a economia brasileira, mas o país tem instrumentos e credibilidade para conter a elevação dos preços sem comprometer o grau de investimento, avaliou nesta quarta-feira a presidente da Standard e Poor's no Brasil, Regina Nunes.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, divulgado nesta manhã, teve alta de 0,79 por cento --a maior variação para um mês de maio em 12 anos.

"A inflação é um ponto vulnerável para o Brasil, mas acreditamos que o grau de investimento veio para ficar, senão não daríamos o ajuste", acrescentou Nunes. A S&P foi a primeira grande agência de rating a colocar o Brasil na faixa de grau de investimento, no final de abril.

"Se você tiver uma inflação maior que a esperada você vai ter um movimento do governo para compensar isso... O Brasil está enfrentando um problema que ele tem ferramentas para usar", disse ela, citando o aumento do superávit primário e a elevação do juro básico.

A alta de preços, segundo Nunes, confirma que o Banco Central estava correto ao não reduzir o juro no ano passado como defendiam alguns empresários e segmentos da sociedade.

"Os juros não têm efeito na mesma hora. Eles não diminuíram no ano passado porque já esperavam uma inflação maior este ano... Você está vendo que o BC estava certo, ao contrário do que muitos diziam."

Segundo ela, o desafio do BC será encontrar a calibragem certa para o juro, de modo a não comprometer o movimento de redução da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).

A estimativa da S&P para países com classificação na faixa "BBB" é que a relação entre dívida/PIB caia para 25 a 30 por cento em um prazo de um a três anos.

Em abril, último dado disponível, essa relação era de 41,0 por cento.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Texto de Daniela Machado; Edição de Renato Andrade)