Preço da energia atinge valor máximo e setor tem inadimplência

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008 18:07 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O valor da energia atingiu nesta sexta-feira o preço-teto de 569,59 reais o megawatt-hora, que vai vigorar na próxima semana e aumentar a dor de cabeça dos consumidores que estiverem sem contrato no mercado, disseram agentes do setor.

Isso pode inclusive gerar o fechamento de algumas comercializadoras de energia e a redução da produção de indústrias, por causa de eventual controle de gastos.

O preço-teto, estabelecido pela agência reguladora, a Aneel, é atingido quando os reservatórios das hidrelétricas estão em seus níveis mais baixos, limitando a evolução do valor para um patamar inviável à segurança do setor.

Para o pequeno consumidor, a conta da energia mais cara devido à falta de chuvas virá no longo prazo, na época da revisão anual das distribuidoras, e pode nem ser tão alta, dependendo do tempo pelo qual a atual estiagem se prolongar.

Na avaliação dos agentes, apesar de afastado o risco de faltar luz no curto prazo, após o anúncio pelo governo de medidas para economizar água dos reservatórios de hidrelétricas, os altos preços da energia devido ao despacho da geração de usinas térmicas poderão levar a um racionamento pelo custo e atrapalhar o crescimento da economia do país, além de provocar inadimplência no setor.

"Esse preço é um grande prejuízo para a indústria, vai ter que reduzir a produção para administrar os custos", avaliou o vice-presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape), Cristiano Amaral. Na primeira semana de janeiro, o preço do MWh era de 247,01 reais.

Na próxima terça-feira, os grandes consumidores representados pela Abiape --entre eles Vale, Votorantim, Alcoa, Camargo Correa Energia-- se reúnem com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, para debater o problema.

As empresas associadas à Abiape investiram mais de 21 bilhões de reais nos últimos 10 anos para acrescentar 7 mil megawatts ao sistema elétrico brasileiro nos últimos anos, a fim de garantir a própria energia, mas as regras mudaram no atual governo e muitas já pensam em migrar para o mercado cativo (por contrato de longo prazo).   Continuação...