PT racha em BH e parte do partido vai apoiar candidata do PCdoB

sexta-feira, 11 de julho de 2008 20:18 BRT
 

Por Marcelo Portela

BELO HORIZONTE (Reuters) - Dirigentes e militantes do PT em Minas Gerais se reuniram nesta sexta-feira com a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) para declarar apoio à sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte, rachando o partido na capital mineira.

Jô é adversária do socialista Márcio Lacerda (PSB), que tem o apoio oficial do PT e como vice o deputado estadual petista Roberto Carvalho. A candidatura de Lacerda foi articulada e apoiada pelo atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).

A direção nacional do PT vetou aliança com o PSDB em Belo Horizonte, mas o diretório municipal aprovou em convenção o apoio a Lacerda. Devido ao veto do PT, o PSDB ficou fora da chapa, mas Aécio Neves manteve o partido apoiando informalmente a candidatura de Lacerda, ex-secretário de seu governo.

A adesão de parte do PT foi comemorada pela candidata comunista, já que entre os militantes que lhe declararam apoio, vários participaram da fundação do partido e alguns são ligados aos ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Patrus e Dulci se manifestaram contra o acordo com o PSDB nas eleições em Belo Horizonte, e, apesar de não declararem abertamente apoio a Jô Moraes, a comunista estava ao lado de Patrus durante evento promovido pela prefeitura no fim de junho.

"A Jô e o PCdoB têm identidade história com o PT em Belo Horizonte. Sempre foi nossa amiga e tivemos seu apoio desde que o Patrus foi prefeito", disse o ex-deputado e ex-delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Minas, Rogério Correia. "Por isso viemos declarar nosso apoio à sua candidatura", acrescentou, em entrevista.

Segundo Correia, que era um dos pré-candidatos do PT à sucessão de Pimentel, os dirigentes e militantes que decidiram apoiar o PCdoB participarão de comícios e subirão nos palanques comunistas e não estarão presentes em nenhum ato da campanha da chapa Lacerda-Carvalho.

"O que houve foi uma aliança cínica com o PSDB. Não podem exigir que mudemos nosso lado histórico porque alguns dirigentes na cidade mudaram", afirmou Correia, referindo-se ao grupo de Pimentel.   Continuação...