CÂMBIO-Crise global de confiança dispara dólar no Brasil

quinta-feira, 11 de setembro de 2008 11:15 BRT
 

SÃO PAULO, 11 de setembro (Reuters) - O dólar operava em alta de quase 3 por cento frente ao real nesta quinta-feira, cotado acima do patamar de 1,80 real pela primeira vez desde 24 de janeiro, acompanhando o cenário internacional.

Às 11h14, a divisa norte-americana BRBY operava com valorização de 2,58 por cento, a 1,831 real.

"O problema não são as medidas governamentais, é a perda de confiança", disse um gerente de câmbio de um banco estrangeiro, referindo-se ao contexto externo.

O pessimismo do mercado girava em torno de preocupações sobre o quarto maior banco de investimento norte-americano, o Lehman Brothers LEH.N. Um dia após o banco ter anunciado prejuízo de quase 4 bilhões de dólares no terceiro trimestre, suas ações operavam em baixa de cerca de 40 por cento na Bolsa de Nova York.

Segundo Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, devido ao cenário de aversão a risco, os investidores têm fugido para os títulos norte-americanos, tidos como mais seguros. Os principais índices de Wall Street operavam em queda de cerca de 1,0 por cento.

O economista acrescentou que, nesse contexto, o real também sofre bastante, porque o Brasil está entre os emergentes com maior liquidez. O risco-país 11EMJ subia 10 pontos, e o principal índice da Bovespa .BVSP caía 0,9 por cento.

Enquanto o dólar avançava 0,35 por cento frente às principais divisas estrangeiras .DXY, as moedas dos emergentes de modo geral se desvalorizavam frente ao dólar. O rand sul-africano ZAR=, por exemplo, chegou a atingir o menor patamar em cinco anos frente à moeda norte-americana. O peso mexicano NXN= e a lira turca IYIX= também caíam.

No atual cenário de valorização da moeda norte-americana --o dólar ainda não caiu em nenhum dia de setembro, e nos últimos dias já zerou a baixa que era acumulada no ano--, a aposta dos estrangeiros na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) pela desvalorização do real ganha força.

Na quarta-feira, eles aumentaram sua posição comprada no mercado futuro para 2,907 bilhões de dólares, frente 893 milhões na véspera.

(Reportagem de Jenifer Corrêa; Reportagem adicional de Silvio Cascione; Edição de Vanessa Stelzer)