JURO-Inflação pressiona futuros e aumenta discussão sobre Selic

quarta-feira, 11 de junho de 2008 16:29 BRT
 

Por Silvio Cascione;

SÃO PAULO, 11 de junho (Reuters) - A surpresa do mercado com a intensidade da inflação empurrou para cima as projeções de juros nesta terça-feira, aumentando a discussão sobre o tamanho do aperto monetário a ser implementado pelo Banco Central.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010, o mais negociado, subiu de 14,76 para 14,81 por cento ao ano. O DI janeiro de 2009 avançou de 13,17 por cento para 13,28 por cento.

"A inflação está ficando generalizada. O mercado está com um pouco de medo do Banco Central perder o controle", disse Rodrigo Ferreira, operador do Banco Alfa de Investimento.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou a maior taxa para um mês de maio desde 1996, com alta de 0,79 por cento. Em 12 meses, a inflação chegou a 5,58 por cento --mais de 1 ponto percentual acima do centro da meta definida pelo governo, mas ainda dentro da margem de tolerância, que vai até 6,5 por cento.

"Ganhou muita força no mercado a idéia de que o BC tenha que ser mais agressivo no aperto monetário. Tem muita gente já discutindo um possível choque de juros já na próxima reunião", acrescentou Ferreira.

A agência brasileira de classificação de risco Austin Rating, por exemplo, acredita que o BC vai elevar o juro básico em 0,75 ponto percentual na próxima reunião. Nos últimos dois encontros do Comitê de Política Monetária (Copom), a alta da Selic foi de 0,50 ponto percentual.

Muitos analistas, porém, descartam que o teto da meta da inflação seja estourado em 2008. Além disso, como consideram que o foco do BC já está 2009, eles argumentam que a trajetória da política monetária não seria alterada.

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