Ciro admite candidatura em 2010 contra volta do neoliberalismo

segunda-feira, 11 de agosto de 2008 13:32 BRT
 

Por Clara Guimarães

FORTALEZA (Reuters) - O deputado federal Ciro Gomes (PSB) admitiu entrar na disputa presidencial de 2010, caso se viabilize uma candidatura que represente a volta de um projeto neoliberal de governo.

"Quem já foi candidato duas vezes não pode andar mentindo, dizendo que não é candidato. Eu, provavelmente, posso ser candidato em 2010, dependendo de algumas circunstâncias que ainda não estão dadas", disse ele, em caminhada ao lado de sua ex-mulher e candidata a prefeita, Patrícia Saboya (PDT), no sábado.

Uma dessas circunstâncias, segundo Ciro, é a necessidade estratégica de dar continuidade ao projeto político em curso no Brasil.

"Se a ameaça for voltar a coalizão neoliberal que representa aquele arco de forças que sustentou o governo Fernando Henrique Cardoso, se estiver em risco essa possibilidade e uma candidatura minha ajudar o país a não dar para trás, eu serei candidato", declarou.

Ciro considerou, inclusive, se necessário, ser vice de Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República e um dos nomes cotados para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo PT.

O parlamentar socialista classificou ainda de "estupidez" a tentativa de se aprovar no Congresso Nacional uma lei que impeça a candidatura de pessoas que respondam a processo na Justiça, o chamado candidato ficha suja. Ele considerou sensata a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a condição de inelegibilidade só é válida para aqueles cuja sentença condenatória tenha sido transitada em julgado.

Para o deputado, impedir a candidatura de uma pessoa que não foi julgada e condenada em última instância é "usurpar direitos fundamentais".

"Imagine, se um 'belequim' qualquer se acerta com um candidato e entra com uma representação contra o sujeito e tira dele um direito fundamental que é participar do processo democrático", exemplificou.

 
<p>O deputado federal Ciro Gomes, &agrave; &eacute;poca candidato &agrave; presid&ecirc;ncia, em debate com estudantes em Bras&iacute;lia em agosto de 2002. O deputado pelo PSB admitiu entrar na disputa presidencial de 2010, caso se viabilize uma candidatura que represente a volta de um projeto neoliberal de governo. Photo by Jamil Bittar</p>