11 de Agosto de 2008 / às 16:42 / 9 anos atrás

Presença das teles no capital acirra ânimos na TV paga

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - A abertura do congresso anual do setor de TV paga, nesta segunda-feira, foi marcado por discursos antagônicos e discussões.

Os conflitos foram gerados, em boa parte, pela posição das companhias e até de sua associação de classe (ABTA) sobre a presença das teles no segmento.

Enquanto um projeto de lei (o PL 29) tenta regulamentar se as teles podem ou não prestar serviços de TV por assinatura, o fato é que já há presença delas no capital de pelo menos três companhias do setor.

A NET, por exemplo, maior operadora de TV paga do país, tem a Embratel como sócia minoritária, enquanto a TVA vendeu parte do seu capital para a Telefônica. Além disso, a Oi assumiu recentemente o controle da Way TV, empresa que opera TV paga em quatro cidades de Minas Gerais.

O discurso de abertura do evento do presidente-executivo da ABTA, Alexandre Annenberg, citou “as pedras no caminho” da TV por assinatura, entre as quais as teles seriam “a última grande pedra que deve ser mencionada”.

Para ele, a entrada das operadoras no segmento “é inevitável e até desejável, mas não se pode abrir mão de que essa entrada se dê com regras claras e precisas, com medidas que impeçam a consolidação de monopólios”.

A presidente-executiva da TVA, Leila Loria, convidada a participar do primeiro debate do evento, agradeceu por ter sido chamada “apesar de representar uma tele”.

Ela e o presidente da NET, José Félix, protagonizaram a discussão mais acalorada da manhã porque o executivo da NET fez severas críticas à postura das operadoras de telefonia. “Elas querem acabar com a gente”, chegou a dizer o executivo.

Na sua opinião, a posição da NET e Embratel é diferente das demais. “É preciso deixar claro onde as teles estão investindo. A Embratel investe na telefonia fixa e todo o investimento feito pela NET na TV por assinatura vem de sua própria geração de caixa”, disse ele.

Leila Loria tentou ironizar com um comentário sobre a queda nas ações da NET, mas Félix foi ainda mais contundente: “esse tipo de brincadeira eu não aceito, a NET é do Nível 2 de governança da Bovespa e se as ações estão em queda desde junho é pela incerteza regulatória”, rebateu.

Para Leila Loria, falta ao segmento de TV por assinatura “capacidade de investimetno” já que o setor vem ganhando complexidade. “O maior desafio é a capacidade de investir para conectar todos os dispositivos que o cliente quer na casa digital”, defendeu.

Edição de Vanessa Stelzer

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