Bush defende diplomacia com Irã, mas não descarta ação militar

quarta-feira, 11 de junho de 2008 09:52 BRT
 

Por Matt Spetalnick e Kerstin Gehmlich

MESEBERG, Alemanha (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse na quarta-feira que pretende resolver pacificamente a questão do programa nuclear iraniano, mas reiterou que todas as opções --inclusive a militar-- continuam disponíveis, e que novas sanções podem ser necessárias.

"Todas as opções estão sobre a mesa", disse Bush em entrevista coletiva ao lado da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel. "A primeira escolha é resolver diplomaticamente, e é exatamente isso que estamos fazendo. A mensagem para o governo iraniano é muito clara."

Merkel, que recebeu Bush em Meseberg, ao norte de Berlim, disse concordar com o visitante quanto à possibilidade de novas sanções contra o Irã caso o país não coopere com as potências ocidentais e suspenda o seu programa de enriquecimento de urânio.

Bush faz a última viagem de seu mandato à Europa, com duração de uma semana. Ele já participou de uma cúpula EUA-UE na Eslovênia e deve passar também por Roma, Paris, Londres e Belfast.

Mais de cinco anos depois de entrar em atrito com Alemanha, França, Rússia e outros países por causa da guerra do Iraque, Bush continua muito impopular na Europa Ocidental.

Em Meseberg, ele disse a jornalistas que não se arrepende de ter iniciado a guerra que derrubou Saddam Hussein, mas admitiu que poderia ter usado uma retórica mais palatável para convencer o mundo da invasão.

Merkel, uma conservadora pró-americana que foi criada na antiga Alemanha comunista, vem se empenhando em reaproximar Berlim de Washington.

É a aliada ideal para que Bush busque apoio europeu para sanções mais duras ao Irã --inclusive porque os europeus já se mostram mais preocupados em especular sobre as posições do futuro governo norte-americano, a partir de janeiro.

O candidato democrata, Barack Obama, é especialmente popular na Alemanha, onde é muitas vezes comparado ao presidente John F. Kennedy, tratado como ídolo político no país por ter declarado em 1963 sua solidariedade à Berlim dividida pelo Muro, com a célebre frase "Ich bin ein Berliner." Obama demonstra disposição de discutir a questão nuclear diretamente com o Irã, sem pré-condições, o que lhe rende críticas por parte do candidato republicano, John McCain.

O governo Bush sempre se recusou terminantemente a negociar diretamente com o Irã, embora participe do conjunto de potências mundiais que ofereceu em março, sem sucesso, um pacote de estímulos ao país em troca da suspensão do enriquecimento.