Senado haitiano planeja destituir primeiro-ministro

sexta-feira, 11 de abril de 2008 20:04 BRT
 

Por Joseph Guyler-Delva

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O frágil governo do Haiti se viu em problemas na sexta-feira com as articulações da bancada oposicionista no Senado para destituir o primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, após uma semana de distúrbios por causa da alta no preço dos alimentos.

Um grupo de 16 senadores deu um ultimato a Alexis para que renuncie até sábado, quando convocaram uma sessão do Senado para aprovar uma moção de desconfiança.

"Nossa decisão foi tomada. Temos a prerrogativa constitucional de demitir o primeiro-ministro e decidimos fazê-lo para preservar a estabilidade do país", disse o senador Gabriel Fortune. Os senadores culpam o governo por não se empenhar o bastante contra o aumento do custo de vida.

Pelo menos cinco pessoas foram mortas neste mês em protestos no país mais pobre das Américas. Multidões indignadas com os preços do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos atacaram soldados da ONU e saquearam galpões de ajuda humanitária.

Muitos no Haiti dizem que a violência foi estimulada por inimigos do governo, membros ressentidos da elite ou por narcotraficantes que usam o Haiti como entreposto para os EUA.

A eleição de Préval, há dois anos, trouxe uma relativa estabilidade ao Haiti, após décadas de ditaduras, regimes militares, levantes políticos e violência de gangues. Para demitir o premiê basta a maioria absoluta entre os 30 senadores, ou seja, 16 -- exatamente o número de assinaturas do ultimato ao premiê.

A demissão forçaria Préval a um longo processo para substituir Alexis e seu gabinete. Mas analistas como Robert Rotberg, da Universidade Harvard (EUA), acham que isso não bastaria para levar à renúncia do presidente. Para ele, os protestos são resultado da própria abertura democrática no Haiti, "e nesse sentido são uma coisa enormemente boa" para o país.

O senador governista Jen Hector Anacacis acusou a oposição de mergulhar o Haiti "em mais caos". "Este não é o momento, porque em 25 de abril ele estará presidindo uma importante reunião com doadores internacionais para recolher cerca de 4 bilhões de dólares para financiar o plano estratégico para o crescimento econômico e a redução da pobreza", afirmou.   Continuação...