Sem apoio, Renan deixa presidência mas pode voltar antes da CPMF

quinta-feira, 11 de outubro de 2007 20:47 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Atingido por denúncias de corrupção desde maio e pressionado por senadores de vários partidos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu nesta quinta-feira licença do cargo por 45 dias, enquanto o período máximo previsto no regimento interno do Senado é de 120 dias.

A presidência será ocupada neste período pelo primeiro vice-presidente, senador Tião Viana (PT-AC).

Em pronunciamento gravado para a TV Senado, Renan disse que com seu gesto contribuía para evitar a repetição dos constrangimentos da sessão de terça-feira, quando senadores aumentaram o tom das pressões pela sua saída.

"O poder é transitório, enquanto a honra é um bem permanente, que não sacrifico em nome de nada", afirmou Renan.

A decisão de Renan foi tomada depois que sua permanência na presidência do Senado passou a ser questionada pela maioria dos partidos, que defendiam sua saída para preservar a imagem do Senado.

O governo federal também tinha interesse no afastamento de Renan, já que a oposição ameaçava obstruir todas as votações a partir de 2 de novembro, o que comprometeria o esforço do Planalto em aprovar a prorrogação da cobrança da CPMF até 2011. Mas, se licenciando por 45 dias, Renan pode voltar à presidência do Senado antes da votação da CPMF.

O senador mantém o seu mandato e continuará respondendo às acusações por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética, que podem levar à sua cassação.

"Reafirmo que enfrentarei os processos como fiz até agora, à luz do dia, com dignidade, sem subterfúgios", disse Renan no pronunciamento. "Minha trincheira de luta sempre foi a inflexível certeza da inocência, a qual estou convicto prevalecerá com a verdade, como aconteceu na minha absolvição", completou.

CASO TEM 5 MESES   Continuação...

 
<p>Atingido por den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o desde maio e pressionado por senadores de v&aacute;rios partidos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu licen&ccedil;a do cargo por 45 dias, enquanto o per&iacute;odo m&aacute;ximo previsto no regimento interno do Senado &eacute; de 120 dias. Foto de Renan em Bras&iacute;lia October, 11 de outubro. Photo by Jamil Bittar</p>