11 de Junho de 2008 / às 13:34 / 9 anos atrás

Inflação surpreende e indica redução mais gradual

<p>Homem compracarne em supermercado do Rio. Foto de arquivo (Newscom TagID: rtrphotos098711) [Photo via Newscom] Photo by $Byline$</p>

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - O pico da inflação ao consumidor brasileiro ocorreu em maio e a tendência é de desaceleração a partir de agora, mas em ritmo mais lento que o anteriormente estimado, já que tanto os dados do mês passado como do início deste mês surpreenderam para cima, devido a uma pressão mais resistente dos alimentos.

No atacado, a história é outra. O ápice dos preços pode ainda não ter ocorrido, já que além dos alimentos, esses índices sofrem o impacto dos metais e da energia, que além de ter um efeito direto e imediato, ainda se espalha pela cadeia.

Apostando que o Banco Central já contava com essa deterioração da inflação e que ele está mais focado nos números de 2009, os analistas acreditam que o ritmo de aperto monetário será mantido.

Entre os dados de inflação divulgados nesta quarta-feira, o destaque foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com alta de 0,79 por cento em maio, a maior taxa para meses de maio desde 1996 e a maior leitura mensal desde abril de 2005.

O número segue a leitura de 0,55 por cento em abril e superou inclusive o teto das expectativas do mercado, de 0,71 por cento, segundo pesquisa da Reuters.

Outro índice de varejo, o IPC de São Paulo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) acelerou a alta para 1,30 por cento na primeira quadrissemana de junho, contra 1,23 por cento na abertura de maio. Analistas previam, na mediana, 1,23 por cento de alta.

"Os dados mostram que... há uma sucessão de itens com fortes altas. Junho está carregando a alta de maio ainda, mas ao final do mês vemos uma certa trajetória de baixa. Só que (a desaceleração) vai ser mais gradual do que a gente pensava antes", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do banco Schahin.

Os analistas acreditam que apesar da desaceleração, os índices seguirão acima das médias recentes. No caso do IPCA, a média dos quatro primeiros meses do ano foi de 0,52 por cento.

Assim, Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento, acredita que "maio foi o pior mês do ano para os IPCs", mas ressalta que o problema da inflação ainda não está solucionado.

"O IPC-Fipe vai ficar perto de 1 por cento em junho e talvez em julho fique menor. O mesmo vale para o IPCA. O IPCA-15 de junho ainda vem forte, mas o IPCA de junho desacelera no fechamento do mês, mas ainda são taxas altas."

Os analistas, no entanto, não acreditam que esse cenário mais pressionado que o anteriormente estimado mude a política monetária e continuam apostando em uma nova alta de 0,50 ponto percentual da Selic em julho.

"O mercado vai especular 0,75 (ponto de alta em julho), mas ainda não creio nisso. O Banco Central está olhando um pouco mais para a frente e menos para os dados correntes. A inflação de agora é ruim, mas está mais concentrada no momento atual", acrescentou Neto, do Schahin.

Tanto no IPCA, quanto no IPC da Fipe, a surpresa veio de uma alta maior que a esperada dos preços dos alimentos e a previsão de desaceleração dos índices é baseada em uma diminuição da pressão desses custos.

No IPCA, os alimentos contribuíram com 54 por cento da taxa de maio, enquanto dos sete grupos do IPC-Fipe, seis diminuíram a alta e apenas Alimentação subiu em ritmo maior.

Já no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), também divulgado nesta manhã, outros itens mostraram fortes variações, como os produtos industriais no atacado.

Os principais aumentos individuais de preços no atacado foram de minério de ferro, óleo diesel, bovinos, arroz em casca e aço semi-acabado ao carbono.

IGPs INCERTOS

O IGP-M acelerou para 1,97 por cento na primeira prévia de junho, superando a elevação de 1,36 por cento em igual período de maio e o teto da previsão dos analistas, de 1,60 por cento.

A variação foi a maior registrada desde dezembro de 2002, quando o IGP-M subiu 2,61 por cento.

No ano, o IGP-M acumula alta de 6,81 por cento. Nos últimos 12 meses, o índice subiu 13,43 por cento.

"Os IGPs tiveram (impacto de) uma nova rodada de aumentos de metais e tem também os combustíveis pressionando bastante, com o aumento doméstico e o petróleo recorde", afirmou Serrano, do Bes, ressaltando que os metais pressionam toda a cadeia industrial.

"Pode não ter sido o pico dos IGPs ainda", acrescentou.

Colaborou Cláudia Pires e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro; Edição de Renato Andrade

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