América Latina avança, mas está atrasada com reformas--Cepal

quarta-feira, 11 de junho de 2008 11:09 BRT
 

Por Manuel Jiménez

SANTO DOMINGO, 11 de junho (Reuters) - A América Latina tem tido avanços econômicos e sociais significativos nos últimos seis anos, mas ainda não foi capaz de realizar as mudanças estruturais que permitam a criação de bases para um crescimento mais sustentável no longo prazo, disse a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal).

"Essa tem sido uma grande fraqueza da região", reconheceu à Reuters o secretário-executivo do órgão, José Luis Machinea, ao explicar os pilares de um documento publicado na reunião ministerial iniciada na terça-feira em Santo Domingo.

Ele esclareceu, no entanto, que nem todos os países da região têm os mesmos pontos fortes e fracos, mas destacou que para este ano é esperado que a região encerre um ciclo de seis anos consecutivos de crescimento econômico, algo "que é muito importante".

"Eu diria que a América Latina tem força pelos últimos anos de crescimento, tem uma macroeconomia, sem considerar os problemas conjunturais, muito mais sólida do que há dez anos, e tem uma consciência de que manter as contas fiscais em ordem é importante", disse.

Machinea explicou que o ponto de vista do crescimento não é o único que tem destaque. Segundo o estudo, a região também tem consciência crescente de que é necessário melhorar a distribuição de renda.

Ainda assim, ele insistiu que a região precisa de mudanças estruturais para garantir a sustentabilidade desse crescimento no médio e longo prazo.

"O que este documento tenta fazer é o que a região deveria tentar fazer em termos de produção e produtividade, em termos de diversificação de estruturas produtivas para assentar as bases de um crescimento", afirmou.

No documento é destacado, por exemplo, que a região não conseguiu avançou importantes na qualidade dos produtos que exporta, sobretudo quando a comparação é com os países em desenvolvimento da Ásia.

Quanto à integração regional, Machinea disse que esse processo não avançou de forma similar na América do Sul, Central e no Caribe. "Essa integração avançou mais na América Central e no Caribe do que no Sul", comentou.

Machinea apontou também que no processo de potencializar o desenvolvimento a curto e médio prazo da região é importante também a integração dos setores público e privado.