ANÁLISE-Plano de contingência não suportaria corte de 50% no gás

quinta-feira, 11 de setembro de 2008 14:27 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 11 de setembro (Reuters) - Um corte de 50 por cento no fornecimento do gás boliviano ao Brasil teria forte impacto sobre a indústria de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, especialmente, e um plano de contingência do governo não teria condições de compensar tamanha redução em um momento de alto consumo do país, disseram especialistas.

"Acho difícil ter um plano de contingência capaz de suprir metade do fornecimento", disse Rafael Schechtman, ex-superintendente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre 1998 e 2001 e diretor da consultoria Centro Brasileiro de Infra-Estrutura.

"Uma redução de 10, 15 por cento no fornecimento é contornável pela redução da geração termelétrica a gás, mas passando daí começa a entrar no gás que é direcionado para a indústria e restante dos consumidores de SP, MT e RS", disse o analista, citando como exemplo de indústria dependente do produto boliviano o setor de cerâmicas e vidros.

Ele afirmou ainda que quando os cortes são pequenos a Petrobras reduz oferta de GNV (gás natural veicular) e depois o fornecimento a indústrias bicombustíveis, que podem trocar o gás por outros combustíveis como o diesel em seus processos produtivos.

Segundo ele, o Rio de Janeiro não seria muito afetado pelo corte porque o Estado consome gás da bacia de Campos, mas São Paulo "tem uma dependência de cerca de 80 por cento do gasoduto Brasil-Bolívia".

E apesar da perspectiva de normalização no curto prazo, o cenário mais para frente não é positivo, diz ele, por conta da turbulência vivida pelo país andino.

"Os opositores parecem querer causar o máximo possível de distúrbios e o governo está radicalizando", afirmou Schechtman.

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