Tel Italia pode encolher se presidente-executivo mantiver planos

sexta-feira, 11 de abril de 2008 13:45 BRT
 

Por Mathias Wildt

MILÃO (Reuters) - Os planos do presidente-executivo da Telecom Italia, Franco Bernabe, envolvem reduzir a companhia a uma operadora local e, em algum momento, torná-la uma unidade da espanhola Telefónica, que participa do consórcio que adquiriu o controle da empresa no ano passado, segundo investidores e analistas.

No Brasil, a Telecom Italia controla a TIM, segunda maior operadora de celular do país em número de assinantes. A Telefónica controla 50 por cento da brasileira Vivo, a maior do Brasil. Por isso, o órgão regulador brasileiro impôs uma série de condições para dar seu aval à compra da Telecom Italia pelo consórcio Telco em 2007.

O plano de Bernabe foi recebido no mês passado com um forte movimento de venda dos papéis que levou as ações da Telecom Italia à maior baixa em 10 anos, além de gerar críticas por parte de alguns investidores, que gostariam de ver a empresa dar passos inovadores.

A família Fossati, que adquiriu 4,45 por cento de participação na Telecom Italia este ano, defende uma fusão da operadora com a Telefónica até 2011.

O gigante espanhol de telecomunicações passou a deter uma participação indireta de 10 por cento na operadora italiana depois de ingressar no consórcio.

"Se a Telecom Italia está satisfeita de se tornar uma pequena operadora local como uma KPN ou uma Belgacom, então eles podem seguir com seu prudente plano", disse Emeka Obiodu, analista de telecomunicações da Global Insight.

"Mas se ela pretende se manter entre os grandes, é preciso assumir o risco financeiro e crescer fora do país de origem. De outra forma, as autoridades italianas terão poucos argumentos para impedir que a Telefónica assuma a companhia integralmente."

Tomando-se por base que o valor de mercado da Telefónica é hoje de 91 bilhões de euros (cerca de 144 bilhões de dólares), três vezes mais que o da Telecom Italia, esta seria uma aquisição relativamente tranquila --e nenhuma surpresa para muitos analistas que já dizem há meses que este é o objetivo da empresa espanhola.   Continuação...