Para IBGE, alimentos podem superar este ano alta recorde de 2007

quarta-feira, 11 de junho de 2008 13:32 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 11 de junho (Reuters) - Os alimentos registraram em maio a maior elevação para o mês desde o Plano Real e, segundo o IBGE, podem bater a alta recorde de 2007, de 10,79 por cento.

"Há uma alta generalizada de alimentos, não há dúvida... Se mantiver esse ritmo, podem superar a elevação do ano passado", disse a jornalistas a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos. "Para junho, não há nenhuma evidência de interrupção da pressão insistente dos alimentos."

No ano, os alimentos acumulam alta de 6,40 por cento, o equivalente a 60 por cento da variação de 2007.

A contribuição dos alimentos sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano é de quase a metade da taxa acumulada de 2,88 por cento.

"Para a inflação ficar dentro de um patamar confortável, vamos depender da safra de alimentos no Brasil e nos EUA", acrescentou a economista.

O arroz, por exemplo, registrou em maio elevação de 19,75 por cento, a mais elevada do Plano Real.

A economista destacou ainda que, dos 20 itens que mais subiram este ano, 10 estão ligados à alimentação.

As famílias de baixa renda são as mais afetadas pela alta dos alimentos, uma vez que destinam boa parte do orçamento para a compra de produtos de primeira necessidade.

O INPC, que mede os preços para famílias com renda mensal de até seis salários mínimos, avançou em maio 0,96 por cento --a maior taxa desde dezembro de 2007. No ano, esse indicador acumula alta de 3,32 por cento e em 12 meses, de 6,64 por cento.

Com a perspectiva de continuidade da pressão dos alimentos, a previsão do IBGE é de que o IPCA acumulado num período de 12 meses subirá ao menos até agosto.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Texto de Daniela Machado; Edição de Alexandre Caverni)