Chefe da Funai espera libertar reféns após viagem a aldeia em RO

terça-feira, 11 de dezembro de 2007 13:13 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Funai, Márcio Meira, espera resgatar no final desta terça-feira os reféns mantidos pelos índios cintas-largas desde sábado, após uma viagem de helicóptero marcada para esta tarde até a aldeia Roosevelt, ao leste de Rondônia.

Entre os reféns estão David Martins Castro, um funcionário do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, dois funcionários da Funai, um procurador da República e sua mulher.

Os índios exigem, entre outras coisas, a retirada da Polícia Federal das barreiras de acesso às aldeias e que o garimpo em terras indígenas não seja liberado.

A decisão de ir até a aldeia, segundo a assessoria da Funai, foi tomada na noite de segunda-feira, após encontro de Meira e dois procuradores da República de Rondônia com 15 lideranças indígenas das etnias cinta-larga e surui em Cacoal, cidade a cerca de 150 km da reserva, conhecida pelas jazidas de diamante.

"Estamos indo até lá (na aldeia) para reunião com toda a comunidade, e de lá já voltaremos (para Cacoal) com as pessoas que estão retidas", explicou à Reuters por telefone, no final da manhã, a assessora de imprensa que acompanha o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai).

"Vamos de helicóptero para chegar mais rápido e a volta está marcada para as 17h locais."

Castro, espanhol que trabalha em Genebra para a ONU, estava com o grupo de brasileiros para conversar com lideranças indígenas e ver a situação da comunidade em Roosevelt.

A região, que conta com cerca de 1.500 cintas-largas, tem sido palco de confrontos entre índios e garimpeiros, que exploram de forma ilegal a famosa jazida de diamantes. A reserva Roosevelt tem 2,7 milhões de hectares.

Na carta de exigências divulgada pelos índios no fim de semana, eles também pedem políticas para educação de qualidade e a revogação de uma portaria que repassa aos municípios a responsabilidade dos serviços de saúde indígena.   Continuação...