CÂMBIO-Dólar cai com ânimo mundial após ação de BCs

terça-feira, 11 de março de 2008 11:01 BRT
 

SÃO PAULO, 11 de março (Reuters) - O dólar operava em queda acentuada nesta terça-feira, em meio ao otimismo geral com as medidas anunciadas pelos principais bancos centrais do mundo para prover liquidez aos mercados.

Às 11h, a moeda BRBY era cotada a 1,694 real, com baixa de 0,76 por cento. Na segunda-feira, o dólar subiu 1,37 por cento e fechou acima de 1,70 real com a tensão provocada pelo agravamento da crise nos Estados Unidos.

No mesmo horário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subia 2,39 por cento, e os principais índices das bolsas em Nova York tinham alta de mais de 2 por cento. O risco Brasil 11EMJ caía 14 pontos, para 270 pontos-básicos.

A virada no humor ocorreu depois que o Federal Reserve anunciou a injeção de até 200 bilhões de dólares no mercado. Outros bancos centrais acompanharam a medida com operações semelhantes, mas de menor volume.

A intenção das autoridades monetárias ao aumentar a liquidez do mercado é evitar que os problemas do sistema financeiro global, atolado em ativos podres no mercado de hipotecas de alto risco (subprime), ganhem maiores proporções e causem uma crise sistêmica.

"A piora do cenário na sexta e ontem foi exatamente em função do risco que o mercado está correndo", disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, no Rio de Janeiro.

O mercado de câmbio recebeu também nesta terça-feira a informação, publicada pelo jornal Valor Econômico, de que o governo estuda medidas para conter a apreciação do real. Entre as propostas analisadas estão a volta da tributação sobre o investimento em títulos públicos por estrangeiros e o fim da exigência de cobertura cambial sobre as exportações.

Um agente de mercado, que preferiu não ser identificado, comentou que os investidores precisam esperar a definição das supostas medidas para avaliar o impacto sobre o dólar.

Segundo ele, seriam bem-vindas as mudanças que simplifiquem o mercado, mas a taxação dos investimentos estrangeiros não seria "uma notícia boa".

"Não por conta do imposto, mas muito por conta da mudança das regras no meio do caminho", disse. "Isso não é bom e soa como possibilidade de quebra de contratos."

(Por Silvio Cascione; Edição de Cláudia Pires)