11 de Março de 2008 / às 17:35 / 10 anos atrás

Violência no Iraque deixa ao menos 46 mortos

Por Paul Tait

BAGDÁ (Reuters) - Pelo menos 46 pessoas morreram em ataques no Iraque nesta terça-feira, incluindo 14 membros de uma família que voltava de ônibus de um funeral em Nassiriya, no sul do país, informaram autoridades do setor de segurança.

A violência caiu cerca de 60 por cento em todo o Iraque desde junho, mas os ataques desta terça-feira demonstram a fragilidade dos ganhos duramente conquistados na segurança do país.

Policiais presentes no hospital de Nassiriya disseram que entre as vítimas havia crianças. Ao menos dez e no máximo 22 pessoas ficaram feridas.

O major Tom Holloway, porta-voz das forças britânicas estacionadas na cidade de Basra (sul), afirmou que o ônibus ia rumo ao sul, da cidade sagrada xiita de Najaf para Basra, quando foi atingido por uma “enorme” bomba plantada ao lado da estrada.

A explosão ocorreu 60 quilômetros ao sul de Nassiriya, capital da Província de Dhi Qar.

Segundo Holloway, peritos iraquianos em explosivos presentes no local disseram que todas as vítimas tinham sido mortas pela bomba, aparentemente montada para atingir um comboio militar dos EUA que se dirigia ao norte, na mesma estrada.

Vários policiais iraquianos, no entanto, sugeriram que os soldados norte-americanos do comboio abriram fogo indiscriminadamente depois da explosão da bomba, matando e ferindo vários dos ocupantes do ônibus.

Porta-vozes das Forças Armadas dos Estados Unidos não foram encontrados para comentar o assunto.

Em Kut, 170 quilômetros a sudeste de Bagdá, pelo menos 14 pessoas foram mortas em confrontos entre forças de segurança iraquianas e a milícia Exército Mehdi, ligada ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr, informaram autoridades do setor de segurança.

Sadr liderou o Exército Mehdi em duas rebeliões contra as forças dos EUA, em 2004, mas no mês passado ele renovou por mais seis meses seu compromisso com um cessar-fogo, anunciado pela primeira vez em agosto. Os comandantes dos EUA têm elogiado a trégua por contribuir para o declínio da violência.

Aparentemente, uma tentativa de prisão de um líder do Exército Mehdi provocou os confrontos entre a milícia e as forças de segurança iraquianas em dois bairros. Há relatos conflitantes sobre o envolvimento ou não das tropas dos EUA nos choques.

Em um ataque contra um posto de controle em Mossul, ao norte de Bagdá, a polícia disse que foram mortos quatro policiais iraquianos, quatro militantes armados e um civil. Militares dos EUA consideram Mosul o último grande reduto urbano da rede al-Qaeda no Iraque.

Em Dhuluiya, também ao norte da capital, um atentado suicida com carro-bomba contra outro posto de controle matou cinco pessoas, incluindo três membros de uma unidade de segurança local, e feriu outras 14, disse o coronel Ibrahim al-Jubouri.

O porta-voz militar dos EUA, contra-almirante Greg Smith, reconheceu no fim de semana que houve aumento da violência no Iraque, mas disse que os militares não acreditam que isso represente uma tendência.

Reportagem adicional de Ross Colvin, Mohammad Abbas, Ahmed Rasheed e Waleed Ibrahim em Bagdá

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