11 de Fevereiro de 2008 / às 11:56 / em 10 anos

Presidente de Timor Leste é baleado em ataque rebelde

Por Tito Belo

DILI (Reuters) - O presidente de Timor Leste, José Ramos-Horta, foi gravemente ferido ao ser baleado na segunda-feira dentro de sua casa em Dili por soldados rebeldes. O primeiro-ministro do país, Xanana Gusmão, escapou ileso de outro atentado e analistas prevêem uma nova fase de violência e instabilidade na pequena ex-colônia portuguesa no Sudeste Asiático.

A Austrália prometeu enviar mais soldados ao país, independente desde 2002.

Moradores disseram que a capital, Dili, está aparentemente tranqüila. Segundo Gusmão, Ramos-Horta está em condição estável. O líder rebelde Alfredo Reinaldo foi morto durante o ataque.

O presidente, que dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 1996 com o bispo Carlos Belo, é um dos maiores símbolos da luta não-violenta dos timorenses contra a ocupação indonésia que durou mais de 20 anos. Ramos-Horta foi operado por médicos militares australianos em Dili e transferido em seguida para um hospital em Darwin, no norte da Austrália.

“Esta é uma séria tentativa [de golpe] contra um Estado democrático”, disse Gusmão em entrevista coletiva. Ele anunciou posteriormente que pediu a Vicente Guterres, vice-presidente do Parlamento e presidente interino do país, que imponha um toque de recolher noturno na capital.

Uma fonte médica australiana disse que Ramos-Horta chegou a Darwin respirando por aparelhos e em coma induzido e que ainda deveria ser submetido a duas cirurgias.

“Ele tem ferimentos no abdome e na parte de baixo do peito. São ferimentos muito graves, particularmente a lesão no peito é extremamente séria”, disse à Reuters Len Notaras, gerente-geral do Real Hospital de Darwin.

“Ele teve vasos sanguíneos danificados no peito, eles foram reparados em Timor, e vamos reparar e limpar mais”, disse o diretor, acrescentando que será necessária uma grande cirurgia também no pulmão direito.

“As próximas 24 a 48 horas vão nos dizer seu progresso. Estamos otimistas de que as boas habilidades cirúrgicas daqui significarão que ele terá uma boa chance de recuperação”, disse Notaras.

Timor Leste vive sob instabilidade desde a independência, sob supervisão da Organização das Nações Unidas. A tensão cresceu neste mês, quando rebeldes ligados a Reinado dispararam contra soldados australianos que patrulhavam Dili.

“O primeiro-ministro Xanana vai ter de se empenhar muito para garantir que o governo mantenha a coesão. É uma crise agora”, disse Damien Kingsbury, professor-associado da Universidade Deakin, na Austrália.

REFORÇOS MILITARES

A Austrália prometeu enviar imediatamente 200 soldados e 50 a 70 policiais a Timor. A Nova Zelândia, que também mantém um contingente em Timor, colocou mais forças em prontidão.

As forças internacionais reforçaram a vigilância em prédios importantes de Dili e ampliaram as patrulhas na capital e no interior.

Em 2006, o Exército de Timor se dividiu entre facções regionais. Há dois anos, 37 pessoas morreram e 150 mil fugiram de suas casas por causa de confrontos entre grupos rivais, o que obrigou à intervenção das tropas estrangeiras.

Reinado já havia liderado uma revolta contra o governo e foi indiciado por homicídios relativos aos distúrbios de 2006.

Um repórter da Reuters viu os corpos dos dois agressores mortos e identificou um deles como sendo Reinado. Um soldado timorense também ficou gravemente ferido, segundo um porta-voz militar.

Os militares disseram que os agressores chegaram em dois carros à casa de Ramos-Horta, que fica numa parte isolada da cidade. Em seguida, a comitiva de Gusmão foi atacada. Os carros chegaram a ser atingidos, mas ninguém se feriu nesse segundo incidente.

Alan Dupont, analista de segurança do Instituto Lowy, de Sydney, disse que os incidentes vão “desestabilizar ainda mais Timor Leste, num momento em que eles buscam se recuperar dos problemas dos últimos 12 a 18 meses.”

Esse país católico, que tem o português como uma das línguas oficiais, é um dos mais pobres da Ásia, mas tem reservas potencialmente lucrativas de gás e petróleo.

(Reportagem adicional de Adhityani Arga e Muklis Ali em Jacarta, Rob Taylor em Canberra e Michael Perry em Sydney)

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