ATUALIZA-Governo admite aumentar cota sem imposto para o trigo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 12:55 BRST
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 11 de fevereiro (Reuters) - O governo brasileiro poderá elevar o volume de trigo a ser importado pelo país com tarifa zero, ou o prazo de validade da concessão, caso avalie que as condições fixadas na última semana venham a ser insuficientes para garantir o abastecimento.

A informação é da secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, que disse a jornalistas que o governo irá monitorar o mercado interno e, caso detecte problemas de abastecimento, poderá fazer ajustes nos termos da cota.

"Questões de abastecimento precisam ser avaliadas. Vamos fazer uma calibragem se houver necessidade", afirmou Lytha. Ela destacou, no entanto, que o fluxo de importações argentinas foi normalizado em janeiro e que, no momento, não se vislumbra necessidade de alteração das regras.

Na última quarta-feira, a Camex, órgão formado por sete ministros, anunciou a redução para a zero da alíquota de importação que incide sobre o trigo de países que não fazem parte do Mercosul. A medida vale para uma cota de 1 milhão de toneladas de trigo e vai até 30 de junho próximo.

A decisão foi tomada diante de interrupções sucessivas nos registros de exportação do trigo da Argentina, principal fornecedor para o Brasil, afirmou Lytha.

Às vésperas de uma reunião bilateral técnica com a Argentina para tratar de uma série de assuntos comerciais, Lytha e o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, destacaram que a prioridade do Brasil é fortalecer as trocas com o país vizinho.

"É muito provável que o Brasil só vai adquirir o produto argentino, se não houver problemas de oferta", afirmou Lytha, ao frisar que os custos com frete para a importação da Argentina são inferiores aos de fornecedores alternativos.

Ela acrescentou, ainda, que os números de janeiro indicam uma normalização no comércio com a Argentina. No mês passado, as importações brasileiras de trigo argentino somaram 229,1 milhões de dólares, contra 107,2 milhões de dólares no mesmo período de 2007.   Continuação...