Governo e oposição concordam em CPI mista para cartões

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 14:09 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - Governo e oposição chegaram a um acordo nesta segunda-feira e o Congresso deve realizar apenas uma CPI mista para apurar os gastos com cartões corporativos. A investigação atingirá as despesas iniciadas em 1998, o que abrange desde o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) até o governo Lula.

O acordo foi selado nesta manhã em reunião do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Jucá havia apresentado um requerimento para uma CPI restrita ao Senado e com investigação ampla. Sampaio propunha uma CPI mista e restrita aos gastos do governo Lula.

"Este acordo permite que investiguemos o cartão e possamos corrigir eventuais irregularidades. É o que o governo quis desde o começo", disse Jucá a jornalistas.

Sampaio usou tom conciliador. "A oposição nunca teve resistência em relação a investigar o passado, mas o fato é que não há fato determinado para que a CPI apure de 1998 para cá. De qualquer maneira vamos investigar agora porque não estamos investigando um governo ou outro, estamos investigando uma modalidade de crédito", disse.

A CPI, cujo requerimento será apresentado por Carlos Sampaio, terá prazo de 90 dias, prorrogáveis por outros 90. Será composta por 22 membros, sendo 11 deputados e 11 senadores.

A presidência ficará com o Senado e a relatoria com a Câmara, informou Jucá. Respeitada a regra de que os maiores partidos indicam a direção, o PMDB ficará com a presidência e o PT, com a relatoria.

O senador disse que o objetivo da CPI será dar maior transparência à utilização dos cartões corporativos.

"A questão não é chegar ao governo FHC, a questão é que nós temos um modelo de gasto ao longo de dez anos e precisamos avaliar como os funcionários agiam nessa questão do suprimento de fundos, do cartão de pagamento, e partir para criar um processo de mais controle e de mais transparência e mais responsabilidade", disse Jucá.

(Texto de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto)