12 de Fevereiro de 2008 / às 11:41 / em 10 anos

ATUALIZA-Ação da Xstrata recua com chance de desistência da VALE

(Texto atualizado com declarações de analistas)

Por Eric Onstad e Mark Potter

LONDRES, 12 de fevereiro (Reuters) - As ações da Xstrata XTA.L recuavam nesta terça-feira depois que um jornal publicou que a mineradora anglo-suíça rejeitou uma oferta de 76 bilhões de dólares feita pela Vale (VALE5.SA) e que a companhia brasileira está perto de desistir da operação.

Os papéis da Xstrata, que subiram 15 por cento nas últimas três semanas, cediam 1,47 por cento às 9h35 (horário de Brasília).

O Financial Times, citou fontes próximas à situação que afirmaram que a Xstrata e a Glencore, empresa suíça de commodities que detém 35 por cento da mineradora, rejeitaram a proposta em ações e dinheiro. A proposta da Vale é de pouco menos de 40 libras por ação e os grupos buscam cerca de 45 libras por ação.

A Xstrata e a Glencore preferiram não comentar o assunto e a Vale não estava imediatamente disponível.

“Os dois lados estão longe de um acordo”, afirmou uma fonte próxima à Vale, segundo o Financial Times, que acrescentou que o grupo brasileiro está “perto de desistir de toda a transação”.

Um analista em Londres que prefere não ser identificado afirmou que um preço acima de 40 libras por ação da Xstrata causaria tensão na Vale (RIO.N), maior produtora de minério de ferro do mundo.

O jornal informa que Vale planejou usar 50 bilhões de dólares em financiamento de bancos para bancar a parte em dinheiro de sua oferta e pagaria o restante em ações preferenciais.

Tobias Woerner, analista de mineração da MF Global Securities em Londres, afirmou que a Vale teria que fazer uma oferta bem acima de 45 libras por ação para conquistar os outros acionistas da Xstrata.

“Eu gostaria de ver algo perto de 50 libras ou mais. A Glencore pode ter um ponto de vista diferente, porque pode gerar ganhos a partir de acordos de marketing do grupo ampliado”, afirmou o analista.

O outro analista disse que a Vale pode fica satisfeita em esperar até que os preços nos contratos de fornecimento de minério de ferro para o ano que se inicia em abril sejam acertados, uma vez que um forte reajuste já esperado pode ajudar nos esforços da empresa em obter financiamento para a oferta.

A crescente demanda chinesa e a oferta apertada pode impulsionar os preços do minério de ferro para um reajuste de 60 por cento ou mais, segundo analistas.

A Vale afirmou mês passado que estava em negociações para uma possível oferta pela Xstrata, com intuito de diversificar seus interesses em mineração. O acordo daria à companhia brasileira uma produção significativa de cobre e zinco e colocaria a empresa à frente da russa Norilsk Nickel (GMKN.MM) como maior mineradora mundial de níquel.

MAIOR TRANSAÇÃO BRASILEIRA

Um possível acordo marcaria a maior aquisição já feita por uma empresa brasileira e viria em meio a uma onda de fusões e aquisições na indústria mineradora, com as empresas se amontoando para obter recursos escassos e uma fatia maior no boom dos preços de commodities que é puxado pela rápida urbanização da China.

A Rio Tinto (RIO.AX), segunda maior mineradora do mundo em valor de mercado, rejeitou na semana passada uma oferta de 147 bilhões de dólares feita por sua rival de maior porte, a BHP Billiton (BHP.AX).

A Xstrata surgiu a partir de uma pequena produtora suíça de ligas de aço, conhecida como Sudelektra Holding no final dos anos de 1990, que cresceu através de fusões e aquisições para enfrentar as grandes mineradoras mundiais.

Uma aquisição pela Vale uniria também as duas ex-maiores produtoras de níquel do Canadá, a Inco, que a Vale comprou em 2006 por 17 bilhões de dólares, e a Falconbridge, comprada pela Xstrata.

Analistas e imprensa especulam que a Anglo American (AGLJ.J) também está interessada numa união com a Xstrata, ou que a Rio Tinto pode ir atrás da mineradora anglo-suíça como forma de defender-se da BHP.

O jornal britânico Telegraph afirmou na semana passada que o Banco de Desenvolvimento da China está negociando com a Glwncore a compra de sua parte na Xstrata. No início do mês o banco arcou coma compra de 12 por cento das ações da Rio Tinto pela Aluminium Corp of China, segundo fontes próximas à questão.

Reportagem adicional de Miyoung Kim

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