Governo diz que vota Orçamento com ou sem a oposição

quarta-feira, 12 de março de 2008 16:47 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), garantiu que o Orçamento da União de 2008 será votado nesta quarta-feira, com ou sem acordo com a oposição.

Após um entendimento entre governo e oposição na terça-feira, a votação do Orçamento voltou a ficar ameaçada pela polêmica em torno da votação de medidas provisórias que entraram pela madrugada desta quarta-feira.

"Está decidido, a votação será com ou sem acordo, vamos votar hoje. O Orçamento é uma peça muito importante e o Brasil não pode abrir mão dele", disse Raupp, dando a entender que a base do governo usará sua maioria no Congresso para superar qualquer ameaça da minoria. Reunida nesta quarta-feira, a oposição decidiu que vai exigir o quórum qualificado de 257 deputados e 41 senadores para que a votação aconteça.

"Se o governo cumprir o acordo e retirar o anexo (de 534 milhões de reais), vamos cobrar o quórum. Não moveremos um dedo, uma palha", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Mais cedo, o senador e presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), deixou claro que a aprovação do Orçamento dependeria da maioria governista.

"Nunca o Orçamento foi votado sem acordo com a oposição. Hoje há boa chance ser votado sem acordo, mas terão aprovado um dos piores Orçamentos da história do país. O mais comprometido, o mais viciado e com um núcleo de ilegalidade dentro dele", disse Guerra.

A oposição decidiu ainda que a partir de agora vai obstruir as medidas provisórias do governo e que não reconhece mais como interlocutores o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

"As medidas provisórias serão votadas todas as vezes que eles tiverem voto e vencerem nossa resistência. Fora disso, não colaboraremos em nenhuma votação de MPs, enquanto não for mudado o rito e recuperarmos a credibilidade do Congresso", disse Virgílio.

Na noite de terça-feira, a medida provisória que cria a TV Pública foi aprovada, à revelia da oposição, que se retirou do plenário do Senado após manobra do governo.