Mantega: FMI deve ser mais ágil para ajudar contra crise

sábado, 12 de abril de 2008 12:57 BRT
 

Por Adriana Garcia

WASHINGTON (Reuters) - A turbulência financeira nos países ricos ainda não contaminou os mais pobres, mas o Fundo Monetário Internacional deveria estar melhor preparado para ajudá-los caso isso ocorra, o que também agradaria os que perderam com a reforma no sistema de cotas do FMI, disse neste sábado o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Num comunicado divulgado durante os encontros de primavera do FMI, no qual fala em nome de Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad Tobago, Mantega voltou a defender a criação de uma linha de empréstimo rápido para emergências.

"Até agora, o problema ainda não se espalhou para esses países. Mas a possibilidade não pode ser descartada", avaliou o ministro no documento.

"Numa crise sistêmica, países em desenvolvimento podem ter de lançar mão dos empréstimos do Fundo para fazer face, na maioria dos casos apenas parcialmente, ao problema da liquidez, o que implica ajustamento econômico e condicionalidades."

Uma proposta assim também poderia compensar aqueles países que perderam poder com a recente reformulação nas cotas e no poder de voto do Fundo. A reforma do FMI deve ir a votação no próximo dia 28 e depende da aprovação de 85 por cento dos 185 países que o compõem.

Brasil e México ganharam mais poder com a reforma, mas os demais países da América Latina não.

Outros, como Venezuela e Argentina, perderam representatividade e a medida ajudaria a compensar os insatisfeitos.

"Isso representaria uma proposta concreta da instituição à crise atual. Seria uma compensação para os países que não tiveram aumento de cotas nessa rodada ou que tiveram aumentos muito modestos", acrescentou Mantega no comunicado.   Continuação...