ESPECIAL-Bovespa festeja Novo Mercado, mas "upgrade" é bem-vindo

sexta-feira, 13 de junho de 2008 09:57 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A estréia da OGX na Bovespa nesta sexta-feira não marcará apenas a maior captação em ofertas iniciais de ações no Brasil. Será também a centésima empresa no Novo Mercado, segmento de negociação que exige mais transparência e respeito aos acionistas e que precedeu o maior ciclo de expansão do mercado de capitais do país.

Enquanto a Bovespa festeja o sucesso de seu projeto, especialistas em governança corporativa já falam em reforma das regras para evitar defasagem em relação às melhores práticas internacionais.

A própria bolsa já estaria consultando as empresas para um novo "upgrade" das regras, segundo especialistas do setor. O problema agora é que a própria expansão do número de listagens dificulta mudanças.

"Nenhuma alteração do regulamento pode acontecer se houver oposição de mais de um terço das empresas já listadas", diz João Batista Fraga, diretor de relações com empresas da Bovespa, sem confirmar os estudos.

Para Mauro Cunha, presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o dinamismo do mercado exige um aperfeiçoamento constante das regras. "Não podemos ficar para trás."

Criado em 2001 com o objetivo de restabelecer o interesse dos investidores num mercado mundialmente conhecido pela falta de proteção aos minoritários, o Novo Mercado já passou por uma reforma em 2006, que ampliou os direitos a essa classe de acionistas.

O debate, no entanto, continua. Principalmente diante de assuntos como remuneração de executivos e mecanismos de proteção contra aquisição hostil, além de questões polêmicas como a eventual venda sem leilão do banco paulista Nossa Caixa para o Banco do Brasil e a possível deslistagem da Cosan .

"O Novo Mercado não é garantia de qualidade. A Bovespa tem que refletir sobre como coibir mecanismos que podem dar a volta nas regras", acrescenta Cunha.   Continuação...