12 de Junho de 2008 / às 12:23 / 9 anos atrás

Copom vai aumentar juro "enquanto for necessário"

Por Renato Andrade

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai continuar aumentando a taxa básica de juro "enquanto for necessário", para alinhar a inflação à trajetória traçada pelo governo.

Na ata da última reunião, divulgada nesta quinta-feira, o colegiado do BC destacou que "acredita que a atual postura de política monetária, a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas".

O Copom elevou a Selic em 0,50 ponto percentual no encontro da semana passada, para 12,25 por cento ao ano. Foi o segundo aumento consecutivo da taxa, após manutenção em quatro reuniões.

A afirmação do Copom na ata reforçou a visão de analistas de que o ciclo de aperto monetário será mais longo do que o inicialmente previsto.

"Na nossa visão, essa afirmação aumenta a dependência do BC em relação aos dados (econômicos) para a definição das próximas ações de política monetária, mas mostra claramente que o BC pretende manter a atual postura da política", avaliou o BNP Paribas em relatório a clientes. Para a instituição, esse tom significa novos aumentos de 0,50 ponto percentual.

Para a economista Zeina Latif, do ABN AMRO Real, o BC não eliminou o temor de uma elevação mais agressiva da Selic, ao evitar qualquer comentário sobre o tamanho ou ritmo dos próximos passos.

Ainda assim, Latif manteve a previsão de que o Copom cortará o juro básico em 0,50 ponto na reunião de julho.

Apesar do comentário agressivo contra a inflação, o mercado futuro de juros registrou um movimento de queda das taxas mais negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), depois da forte alta registrada recentemente.

DEMANDA PREOCUPA

O Copom mostrou, mais uma vez, preocupação com o ritmo da demanda doméstica. Para os diretores do BC, a expansão acelerada dessa demanda continua sendo uma ameaça para o controle dos preços.

"O ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado..., continua colocando riscos importantes para a dinâmica inflacionária."

O comitê também deixou claro que está preocupado com a piora das expectativas de inflação. Como existe uma defasagem entre o aumento do juro e seu efeito sobre a economia, essas expectativas são fundamentais para garantir maior eficácia da política adotada pelo BC.

"Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da implementação da política monetária", afirmaram os diretores do BC.

Segundo a ata, as decisões tomadas pelo Copom terão "impactos concentrados" no segundo semestre deste ano e em 2009.

A meta central definida para 2008 é de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,5 por cento, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA teve alta de 0,79 por cento em maio, a maior variação para o mês em 12 anos. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,58 por cento, mais de um ponto percentual acima do centro da meta.

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